O activista político de esquerda Fernando Baldomero foi executado, na segunda-feira, por volta das 6h da manhã, em frente à sua casa na aldeia de Estancia, Kalibo, no estado de Aklan. Baldomero recebeu dois tiros, na cabeça e no pescoço, disparados por dois pistoleiros não identificados, no momento em que se preparava para levar o filho à escola. O militante pertencia ao Bayan Muna (O Povo Primeiro), tornando-se a 145ª vítima desse agrupamento político a ser executada nos chamados “assassinatos extra-judiciais”.
O presidente do Bayan Muna, Satur Ocampo, e o parlamentar Teddy Casiño condenaram o assassinato. “Exigimos uma rigorosa investigação sobre o possível envolvimento de militares e esquadrões apoiados pelos militares nesse contínuo clima de impunidade contra críticos do governo”, “Baldomero é o primeiro e deve ser a última vítima dos 'assassinatos extra-judiciais' sob o governo Aquino”, ressaltou Casino. Fernando Baldomero estava a ser seguido desde 2008 e tinha escapado de várias tentativas de assassinato. Baldomero fora preso político em 1980, acusado de pertencer ao Novo Exército do Povo.
Casino e Ocampo reivindicaram que seja suspenso imediatamente o programa de contra-insurgência e a sua política de classificar os activistas de esquerda de “inimigos do Estado” que terminou em amplos e sistemáticos “assassinatos extra-judiciais” e desaparecimentos durante o regime de Arroyo (Gloria Macapagal-Arroyo, ex-presidente). Condenaram também o silêncio do novo presidente empossado, afirmando que o programa de contra-insurgência continua sob o novo governo.
No dia 15 de Junho, Benjamen Bayles, membro do Bayan Muna, foi morto por um pistoleiro, que se suspeita seja um soldado da cidade de Kabankalan, em Negros Oriental. Em 30 de Maio, Jim Gales, um funcionário do Bayan Muna na cidade de Panabo, foi assassinado por um pistoleiro desconhecido.
Activistas de organizações que lutam pelos direitos humanos afirmam que esses “assassinatos extra-judiciais” fazem parte do programa de contra-insurgência que combate a longa guerra popular, visando principalmente não-combatentes, que os militares acreditam estarem a apoiar os comunistas.
A morte de Baldomero ocorreu dois dias após um jornalista, José Daguio, ter sido assassinado em Kalinga.
O governo de Aquino nega estar a ser conivente com estes assassinatos, alegando que eles estão a ser utilizados para deixar o governo numa situação embaraçosa.