Ativistas pela mobilidade justa voltam esta sexta-feira a realizar um protesto original nas principais gares ferroviárias de mais de uma dezena de cidades europeias. São as Festas do Pijama pelos Comboios Noturnos, em que os participantes trazem as suas almofadas, pijamas, roupões e outros acessórios para dançarem nas plataformas exigindo o fim dos cancelamentos dos comboios noturnos e a criação de uma rede europeia de comboios noturnos “totalmente conectada e acessível”.
Em Lisboa a festa será em formato “silent disco” a partir das 19h no Cais 3 de Santa Apolónia, de onde em tempos partiam o Sud Expresso e o Lusitânia rumo a Madrid e Hendaye. Para dançar ao som do coletivo DJs for Climate Action basta trazer o telemóvel e auriculares, além do indispensável pijama.
“Enquanto falam de novos aeroportos e de alta velocidade, Lisboa permanece uma das únicas capitais europeias sem qualquer ligação ferroviária internacional. A linha já está lá, tudo está lá. Este serviço funcionava há 130 anos e queremos que volte a funcionar hoje e por muito tempo no futuro”, diz Francisco Pedro, do movimento ATERRA, lembrando o serviço do sud Expresso e do Lusitânia interrompido em 2020 e que nunca foi reposto. Para este ativista, “os comboios noturnos são a opção mais saudável, confortável e ecológica para viajar longas distâncias”.
Inês Teles, da Stay Grounded, outro dos coletivos organizadores da iniciativa, também considera os comboios noturnos como “a melhor alternativa à aviação, que é um setor que precisa de ser drasticamente reduzido à medida que o colapso climático se acelera”. Mas lamenta que as últimas notícias não sejam animadoras, pois “continuamos a ouvir falar do cancelamento de serviços, como Paris-Viena, e vemos a ligação a Lisboa permanecer encerrada durante anos”.
“Em vez de fazer greenwashing ao tráfego aéreo com falsas soluções, precisamos de voltar a colocar comboios noturnos reais e acessíveis sobre carris”, defende a ativista.