Após a recente divulgação de dados que indiciavam o abrandamento do crescimento da economia norte-americana, o banco central norte-americano decidiu voltar a comprar títulos de dívida pública de longo prazo e manter as taxas de juro de referência (próximo de zero). Tais medidas vão no sentido oposto às tomadas pelos países europeus, que voltaram a focar o discurso na consolidação das finanças públicas e abandonaram os programas de estímulo. A Reserva Federal (Fed) norte-americana já admitiu: "O ritmo da recuperação económica tenderá a ser mais modesto no curto prazo do que tínhamos antecipado".
O anúncio por parte do Fed veio deixar claro o risco de um possível recuo da economia norte-americana na segunda metade do ano. O próprio presidente da instituição, Ben Bernanke, teve que recuar no optimismo manifestado no início do mês, quando declarou que esperava que a recuperação prosseguisse e ganhasse fôlego com o consumo. O Fed previa que as despesas das famílias aumentassem nos próximos trimestres, graças ao aumento do rendimento disponível e a uma melhoria do acesso ao crédito.
O Fed decidiu manter a taxa de referência no intervalo entre 0 e 0,25 por cento, valor que permanece o mesmo desde Dezembro de 2008, a compra de títulos de dívida pública de longo prazo será feita com os reembolsos das hipotecas, desde de o início da crise, em 2008, o Fed já comprou cerca de 1,7 milhões de milhões de dólares (1,3 milhões de milhões de euros) em créditos hipotecários aos bancos e ao Tesouro.