Farmacêuticos do SNS em greve com 87% de adesão

05 de setembro 2023 - 20:49

A greve distrital reivindica a atualização das grelhas salariais, que não são revistas desde 1999, a contagem integral do tempo de serviço e a contratação de mais profissionais.

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Farmacêuticos do SNS
Farmacêuticos do SNS protestaram em junho junto ao Ministério da Saúde. Foto Tiago Petinga/Lusa

Depois da greve nacional de 24 de julho, a luta dos farmacêuticos do SNS prosseguiu esta terça-feira com uma greve nos distritos de Beja, Évora, Faro, Lisboa, Portalegre, Santarém e Setúbal e nos Açores e na Madeira. O Sindicato Nacional dos Farmacêuticos (SNF) diz que a adesão foi de 87%, o que o seu presidente considera "muito bom" e está em linha com a adesão à greve nacional do passado mês de julho. A greve afetou todos os serviços clínicos, pois estes profissionais estão nas especialidades de farmácias hospitalares, análises clínicas e genética humana.

“Eu costumo dizer que realmente as pessoas podem ir ao hospital, serem tratadas, serem internadas, fazerem os exames, terem toda a medicação que necessitam e saem de lá sem nunca se terem apercebido que por trás disso tudo estiveram os farmacêuticos”, o que junto com o diminuto número que são no SNS torna “uma tarefa difícil” fazer ouvir a sua voz junto do poder político, disse à Lusa Henrique Reguengo.

O presidente do SNS fala em casos de profissionais ao serviço do SNS há mais de 25 ou 30 anos e que continuam na base da carreira, o que considera "um problema grave". “Pessoas que entrem agora para o sistema estão a ganhar o mesmo (…). Ora, isto é impensável e não acontece com as outras classes profissionais”, afirma o sindicalista, sublinhando que a situação está “bem identificada” e é “bem possível” de corrigir, mas para isso “é preciso haver vontade política, que não há”.

“A agravar este problema ainda temos uma tabela remuneratória que, ao contrário do que aconteceu com todos os outros profissionais de saúde, não é revista desde 1999 e, portanto, não tem qualquer relação com aquilo que são as responsabilidades e a diferenciação da atividade farmacêutica no Serviço Nacional de Saúde”, disse, sublinhando que a classe sofreu “uma desvalorização enorme durante estes 24 anos”. Apesar disso, da parte do Governo não encontra abertura para dar início a um processo negocial.

“Nos últimos meses, têm debandado do Serviço Nacional de Saúde uma série de farmacêuticos experientes, que é outro problema”, prosseguiu Henrique Reguengo, acrescentando que “os profissionais com experiência e com sabedoria que podem ensinar as novas gerações são esses que estão a sair porque acabam por se fartar”.

Entre as reivindicações dos farmacêuticos do SNS está a atualização das grelhas salariais, a contagem integral do tempo de serviço no SNS para a promoção e progressão na carreira, a adequação do número de farmacêuticos às necessidades do serviço público e o reconhecimento por parte do Ministério da Saúde do título de especialista. E a luta vai continuar com mais uma greve distrital no dia 12 de setembro e nova greve nacional no próximo dia 19.