As famílias que não estão a pagar créditos de habitação não podem perder tudo

03 de maio 2012 - 17:33

170 mil famílias não estão a pagar ou estão com dificuldades de pagar os seus créditos de habitação, o Bloco quer evitar que essas famílias vão à falência e apresenta diversas propostas. “Não queremos que essas famílias percam tudo” declarou Francisco Louçã nesta quinta feira após uma reunião com a Sefin.

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170 mil famílias não estão a pagar ou estão com dificuldades de pagar os seus créditos de habitação, o Bloco quer evitar que essas famílias vão à falência e apresenta diversas propostas - Foto de Paulete Matos

O Bloco de Esquerda reuniu nesta quinta feira com a direção da Associação Portuguesa de Consumidores e Utilizadores de Produtos e Serviços Financeiros (SEFIN). No final da reunião prestaram declarações à comunicação social Natal Marques da Sefin e Francisco Louçã do Bloco de Esquerda.

Segundo a agência Lusa, Natal Marques, da Sefin, considera que a legislação deve ser alterada para “reequilibrar uma situação em que as famílias têm sido as mais penalizadas”.

Para a Sefin, o caso de Portalegre - em que o tribunal decidiu que a perda da casa para o banco saldava a dívida – coloca a questão nos termos certos: “Houve riscos que foram assumidos por ambas as partes e que não seja sempre no fim de contas o mutuário a arcar com todas as consequências dessa avaliação mal feita que inicialmente aconteceu”, defendeu Natal Marques.

Francisco Louçã lembrou que o Bloco de Esquerda apresentou nas jornadas parlamentares, realizadas há cerca de mês e meio, propostas que estão em debate de comissão na Assembleia da República e sublinhou que neste período houve mil famílias “que perderam a sua casa e que, em muitos casos, terão ficado ainda com enormes dívidas ao banco, apesar de terem perdido tudo”.

Francisco Louçã afirmou que o Bloco quer que todas as pessoas que estão em situação de dificuldade “possam ter uma resposta sensata, um contrato equilibrado, regras justas”, defendendo a aprovação, “tão depressa quanto possível”, das “melhores soluções”: “uma moratória quando as famílias não podem; a extinção da dívida quando o banco executou a hipoteca; a impossibilidade de haver estes jogos de avaliações ( o caso de Portalegre: o banco avaliou por 117 mil uma casa que quis comprar por 82 mil), não podemos continuar a ter situações deste tipo”, declarou Francisco Louçã.

O dirigente do Bloco de Esquerda criticou também a solução que o governo “parece estar agora a defender, que é uma solução parecida com a espanhola”, considerando que “que essa é uma solução deficiente e prejudicial para muitas pessoas, porque não abrange quase ninguém”.

O deputado do Bloco de Esquerda alertou ainda: “para que o governo não insista ou não persista em soluções prejudiciais às pessoas, mas que avancemos, tão depressa quanto possível, para uma solução justa, sensata, urgente, porque há urgência no país”.

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