Estes três ex executivos do Anglo Irish Bank (AIB) são acusados de 16 ilegalidades financeiras, relacionadas com a “prestação ilegal de assistência financeira”, em julho de 2008, com o propósito de revalorizar de maneira fraudulenta as ações do AIB.
Conforme avança o Irish Times, em causa estão os empréstimos concedidos pelo AIB a um grupo de investidores - 10 clientes, conhecidos como o "Maple 10", os cinco filhos do magnata Sean Quinn, que declarou insolvência após ter sido considerado o homem mais rico da Irlanda, e a sua esposa Patricia - para comprar ações no banco. Desta forma, os executivos do AIB pretendiam impulsionar o preço das ações e, por sua vez, ganhar a confiança do público.
Sean Fitzpatrick, que esteve à frente do AIB durante quase duas décadas e se demitiu desta entidade bancária em dezembro de 2008, apenas um mês antes da entidade ser nacionalizada, já tinha sido detido no ano passado, contudo, não foram formalizadas, à época, quaisquer acusações. O ex-banqueiro já terá, contudo, assumido que ocultou um total de 87 milhões de euros em empréstimos do banco, valor que foi transferido para uma sociedade imobiliária irlandesa.
Fitzpatrick já foi posto em liberdade, mediante uma fiança de 11 mil euros, e terá que se apresentar semanalmente na polícia, segundo noticia o Irish Times.
Durante o “boom” do setor da construção, o AIB converteu-se na melhor fonte de empréstimos deste setor, devido à facilidade com que concedia créditos de alto risco, o que gerou dívidas multimilionárias quando estoirou a bolha imobiliária.
Em janeiro de 2009, o ABI foi nacionalizado para evitar a sua falência, sendo que esta operação custou 30 mil milhões de euros aos contribuintes, quase metade do valor necessário para resgatar todo o setor. O colapso da entidade financeira e os seus avultados custos para o erário público traduziram-se na degradação da economia irlandesa e terão empurrado a Irlanda para o pedido de ajuda externa em 2010.