Ex-eurodeputada do GUE/NGL foi detida na Turquia

16 de novembro 2012 - 10:51

Feleknas Uca, activista alemã e exeurodeputada da Esquerda Unitária (GUE/NGL) foi presa no aeroporto de Istambul quando desembarcava para transmitir a sua solidariedade aos presos políticos curdos em greve da fome em varias prisões da Turquia.

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Feleknas Uca, exeurodeputada do GUE/NGL, o grupo parlamentar que integra o Bloco de Esquerda e o PCP. Foto GUE/NGL.

Uca, procedente de Colónia, preparava-se para tomar um avião com destido a Diyarbakir, capital do Curdistão turco, quando foi detida pelas autoridades da Turquia. A ex eurodeputada foi acusada de não ter declarado as 240 caixas de vitamina B1 que transportava para distribuir aos detidos que se encontram em greve da fome.

Cerca de 700 cidadãos turcos estão em greve da fome há cerca de 65 dias em prisões de toda a Turquia exigindo às autoridades do regime de Ancara, candidato à entrada na União Europeia e uma das frentes da intervenção estrangeira na guerra civil síria, o direito a utilizar a língua curda nos tribunais, o ensino do curdo nas escolas básicas e o fim da situação de isolamento em que se encontra Abdullah Oçalan, fundador do Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

Além dos 700 grevistas da fome já confirmados, cerca de dez mil detidos manifestaram há dez días a intenção de se juntar ao movimento de protesto.

A deputada curda Leyla Zana, que já passou dez anos nos cárceres turcos por falar curdo no Parlamento de Ancara e foi galardoada em 1995 com o Prémio Sakharov, juntou-se à greve da fome e tornou-se a oitava representante parlamentar do Partido da Paz e Democracia, de influencia curda, a tomar a iniciativa.

A Comissão de Direitos Humanos do Parlamento turco está a examinar um projeto de lei que amite a possibilidade de utilizar a língua curda nos tribunais, mas as autoridades não tomaram qualquer iniciativa em relação a outras reivindicações da minoria curda.

A ativista alemã Feleknas Uca é filiada no partido Die Linke (A Esquerda) e tem origen curda. Integrou o grupo político da Esquerda Unitária no Parlamento Europeu (GUE/NGL) de 1999 a 2009.

O presidente do Parlamento Europeu, Martins Schulz, escreveu entretanto uma carta ao ministro turco da Justiça, Sadullah Ergin, manifestando preocupação com a situação dos presos em greve da fome nos cárceres da Turquia. "Acompanho com preocupação a greve da fome dos detidos curdos, entre eles cidadãos eleitos e membros do Parlamento da Turquia", escreveu Schulz.

A preocupação mais urgente, acrescentou o presidente do PE, é a saúde dos que tomaram "esta desesperada ação não violenta".

Ao mesmo tempo Schulz apela aos detidos curdos que ponham fim à greve, optem "pelo diálogo político" e saudou a apresentação do projeto de lei sobre o uso do curdo nos tribunais.


Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.