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EUA: Marcha das mulheres em mais de 400 cidades

Este sábado voltou-se a realizar a marcha das mulheres norte-americanas. O voto anti-Trump e o protesto contra a nomeação de uma juíza ultra-conservadora, membro do pouco conhecido grupo religioso “Povo do Louvor”, para o Supremo Tribunal foram temas imediatos.
Marcha das mulheres em Los Angeles. Outubro de 2020. Foto de ETIENNE LAURENT/EPA/Lusa.
Marcha das mulheres em Los Angeles. Outubro de 2020. Foto de ETIENNE LAURENT/EPA/Lusa.

Desde 2017, a seguir à tomada de posse de Donald Trump, que estas marchas das mulheres se têm organizado contra o crescente conservadorismo. Nesse primeiro ano foram das maiores manifestações de que há memória no país. Em ano de pandemia, voltaram a realizar-se este sábado, com menos pessoas, distanciamento social e máscaras, em cerca de 400 cidades norte-americanas.

Apelos ao voto contra o atual presidente e críticas ao processo de nomeação a contra-relógio da juíza ultra-conservadora Amy Coney Barrett antes das eleições ocuparam parte importante dos discursos.

Coube a Rachel O’Leary Carmona, em nome da organização, fazer a intervenção inicial no evento. Depois de reiterar o pedido a que se cumprissem as normas sanitárias, atirou-se a Trump dizendo que a presidência deste tinha começado com a marcha das mulheres “e agora vai acabar com as mulheres a votar. Ponto final.”

Também perentória sobre o fim da governação do multimilionário foi Sonja Spoo, da Ultraviolet, que responde à conjetura de Trump não aceitar os resultados eleitorais: “quando o expulsarmos pelo voto não vai haver escolha”.

O “Povo do Louvor” entra no Supremo

A nomeação de Amy Coney Barrett para o Supremo Tribunal foi igualmente tema de várias intervenções. E a marcha deste ano em Washington até acabou mesmo em frente ao edifício do Supremo Tribunal para assinalar a importância da escolha.

Os Republicanos pressionam para que a favorita de Trump seja investida antes das eleições de novembro que podem mudar a balança do poder no país. Conseguirão assim ter uma maior de 6-3 no órgão.

Este lugar no Supremo ficou vago depois da progressista Ruth Bader Ginsburg ter falecido a 18 de setembro. E a pressa surge apesar de Ginsburg ter pedido que a vaga só fosse ocupada depois do ato eleitoral. Uma rapidez contrasta com a recusa anterior do partido conservador em dar posse a Merrick Garland, escolhido por Barack Obama para outra vaga no Tribunal, em 2016, supostamente por se estar a seis meses das eleições.

Barret, cuja carreira já tinha sido impulsionada por Trump em 2017 quando este a escolheu para ser juíza no Tribunal de Recurso Federal do Sétimo Circuito, comprometeu-se nas audições do Senado a distinguir a sua religião das suas funções. Mas escusou-se a tomar esclarecer o que fará em vários assuntos, entre os quais o direito ao aborto, aprovado em 1973 por este órgão.

É uma integrante do movimento de renovação carismática católica People of Praise. Foi educada no interior desta comunidade, sendo o seu pai parte do Conselho Nacional de Diretores.

Estes acreditam em curas divinas, na capacidade dos seus membros terem acesso a profecias e de “falar em línguas”, ou seja expressar uma linguagem divina. São ultra-conservadores e a organização é liderada por um corpo diretivo de onze homens dos quais um é presidente e acreditam que os homens lideram a família e que às mulheres é destinado cuidar do lar. A estas, o lugar mais alto reservado é “líder das mulheres”, ou seja um lugar que é destinado a “ensinar as mulheres em assuntos femininos, dar-lhes conselho e ajuda em situações complicadas” explica Thomas J. Csordas, especialista da Universidade da Califórnia.

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