O mais recente pacote de estímulos orçamentais apresentado pela administração de Joe Biden nos EUA, cujo montante total anda à volta de 1,9 biliões de euros, deverá servir para impulsionar a recuperação da crise não apenas nos EUA, mas em toda a economia mundial. Quem o diz é a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que aponta para um aumento de cerca de um ponto percentual na previsão de crescimento económico global em 2021 como consequência deste plano.
A OCDE divulgou esta terça-feira a atualização das previsões que tinha feito em novembro do ano passado sobre a evolução económica, prevendo agora um crescimento de 5,6% da economia mundial em 2021, face aos 4,2% estimados há uns meses. Para esta revisão em alta do desempenho económico mundial contribui, também, o avanço a bom ritmo dos planos de vacinação da população em alguns países, mesmo apesar dos atrasos verificados na União Europeia.
É preciso ter em conta que este pacote de estímulos, aprovado pelo Senado no sábado e que será colocado a votos ainda esta terça-feira na Câmara dos Representantes, figura entre os maiores pacotes orçamentais apresentados nos EUA desde o fim da 2ª Guerra Mundial. O plano atualmente apresentado foca-se no apoio às famílias e trabalhadores mais vulneráveis, diferindo daquele que foi aprovado no início da pandemia, bastante mais virado para as empresas. Para Laurence Boone, economista-chefe da OCDE citada pelo Financial Times, o plano representa uma tentativa de “dar início a um novo período em que se alcança maior crescimento e se afasta de um nível de inflação demasiado baixo”.
Apesar disso, Boone acredita que o nível de preços não vai disparar, como têm argumentado alguns críticos do plano, uma vez que ainda existe “excesso de oferta no mercado de trabalho norte-americano”. Por outras palavras, o aumento do desemprego e das pessoas em idade ativa dispostas a trabalhar faz com que a inflação não seja um problema imediato, já que o estímulo terá como consequência a dinamização da atividade económica e a inserção de quem perdeu o emprego na força de trabalho.
O pacote deverá também ajudar a economia norte-americana a regressar mais depressa aos níveis de crescimento pré-crise. A situação contrasta com a da União Europeia, onde, um ano após o início do primeiro confinamento, o plano de estímulos às economias ainda não saiu do papel, além de representar um montante bastante inferior ao dos EUA.