José Carlos Martins, dirigente do Sindicato do Enfermeiros Portugueses (SEP), afirmou, em declarações à agência Lusa, que têm existido várias tentativas para impedir que os enfermeiros participem na iniciativa organizada por esta estrutura sindical.
O SEP montou, esta sexta feira, um hospital de campanha em Lisboa, como forma de protesto contra a subcontratação de enfermeiros, através de empresas de trabalho temporário (ETT) a 3,96 euros para 35 horas semanais, o que implica uma perda 45% em relação aos anteriores 6 euros/hora.
Referindo-se à nova proposta apresentada aos 70 enfermeiros subcontratados na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT), aos quais passaram a ser oferecidos 4,23 euros para uma carga horária semanal de 31,5 horas, Guadalupe Simões, dirigente do SEP, sublinhou que espera que “o Ministério da Saúde não aceite estas situações”, na medida em que “os serviços estão carenciados de horas de prestação de cuidados e não podemos permitir que as empresas estejam a apresentar diminuição do tempo de trabalho numa perspetiva de aliciar enfermeiros com um valor um pouco mais alto”.
Segundo explicou à Lusa Guadalupe Simões, no hospital de campanha montado na Rua Augusta hospital de campanha dirigentes sindicais e alguns enfermeiros estão a “prestar cuidados que normalmente se prestam nos centros de saúde e que, face ao que está a ser pago, poderão ser prestados de forma generalizadas às pessoas que passam na rua, gratuitamente”.
No final da iniciativa, que reuniu cerca de três dezenas de profissionais, José Carlos Martins adiantou à Lusa que poderão ser organizadas novas formas de luta, caso o Ministério da saúde não resolva a situação dos 70 enfermeiros. “O Ministério da Saúde ficou de marcar uma reunião para a próxima semana. Aguardamos uma data. Na quarta-feira, a direção do Sindicato irá reunir e decidir o que fazer”, sublinhou o dirigente do SEP. “Tudo está em aberto”, rematou.