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Emissões de CO2 caem 1.4 milhões de toneladas com paragem das centrais de Sines e Pego

A organização ambientalista ZERO apresentou esta quarta-feira os cálculos das emissões da produção de energia. E conclui que as “atuais paragens das centrais do Pego e de Sines mostram que é possível a sua retirada do sistema sem pôr em causa a segurança do abastecimento de eletricidade no país”.
Foto de Paulo Valdivieso/Flickr

A associação ambientalista ZERO atualizou hoje, em comunicado, os dados sobre as emissões de CO2 na produção de energia em Portugal. Durante os 59 dias (de 14 de março a 11 de maio) em que as centrais térmicas, a carvão, de Sines e Pego não estiveram a funcionar, a ZERO calculou um decréscimo de emissões superior a 1,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono, “mais precisamente 370 mil toneladas em março, 590 mil toneladas em abril e 475 mil toneladas em maio”.

A esta redução sem precedentes das emissões de gases com efeito de estufa em Portugal soma-se um aumento da produção de eletricidade vinda de fontes renováveis, comparando com o período homólogo de 2019, passando de 60% para 75%. O comunicado da ZERO aponta ainda para quebra no consumo de eletricidade que ocorreu durante a pandemia, esta diminuição foi de 13% em maio de 2020, comparando com o mesmo mês do ano passado.

O contexto da pandemia é importante para a análise destes dados, uma vez que passou a haver mais oferta de eletricidade de países vizinhos, nomeadamente Espanha, devido às quebras de consumo registadas nesses países, o que levou a uma diminuição dos custos da energia, e a maiores volumes de importação. Por outro lado, a ZERO diz no seu comunicado que os custos do carvão versus gás natural, os custos associados às emissões, e a competitividade e disponibilidade de outras alternativas, “têm conduzido à paragem quase total das centrais mais ineficientes a carvão de Pego e Sines”.

Para a associação ZERO “o fim anunciado em outubro passado das centrais a carvão num futuro próximo (Pego em 2021 e Sines em 2023) está na prática a ter lugar”. E que as “atuais paragens das centrais do Pego e de Sines mostram que é possível a sua retirada do sistema sem pôr em causa a segurança do abastecimento de eletricidade no país”. A central de Sines encontra-se parada há 129 dias, desde 26 de Janeiro, inclusive. 

No final do seu comunicado, a associação ambientalista lembra a necessidade de “um plano de promoção de atividades económicas ligadas à urgente transição energética que possa fortalecer a vitalidade económica e social das regiões onde se inserem as centrais”.

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