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No final das orações do meio-dia esta sexta-feira, centenas de milhares de pessoas concentradas na Praça da Libertação (Tahrir), no Cairo, gritaram “Não saímos até que ele saia”, referindo-se ao presidente Hosni Mubarak. Os manifestantes anti-Mubarak não encontraram até agora oposição de contra-manifestantes, como ocorrera nos dias anteriores, e as orações decorreram pacificamente. O ambiente mudou com o fim da violência e há alegria e confiança na saída de Mubarak, neste dia que foi baptizado pela oposição como o “Dia da partida”. O Exército ampliou o controlo da acesso à praça, identificando os manifestantes um a um.
No início da manhã, o ministro da Defesa, Mohamed Husein Tantaui, foi à praça Tahrir e discursou à multidão cercado por soldados, afirmando que tudo estava sob controlo. O ministro reiterou o pedido de um diálogo com a oposição e reafirmou que "Mubarak já disse que não voltará a concorrer às eleições de Setembro".
Na quinta-feira, Mubarak disse à rede de televisão americana ABC que estava farto do poder, mas que não podia sair porque senão viria o caos.
Obama negoceia transição
Mas a administração Obama estaria, segundo o New York Times pela primeira vez a admitir que uma das saídas para a crise é a imediata demissão do presidente. O presidente americano já afirmara que a transição política para a democracia deve "começar já". O jornal afirma agora que uma das propostas discutidas entre a Casa Branca e altos funcionários egípcios seria a de conseguir uma imediata transmissão do poder de Mubarak a um governo provisório encabeçado pelo vice-presidente Omar Suleiman, que foi chefe dos Serviços de Segurança e é tido como muito ligado aos EUA. Mas para aplicar uma tal solução, os EUA teriam necessidade de um acordo com a Irmandade Muçulmana e outros sectores de oposição que, segundo o NYT, são encarados como participantes necessários num tal governo provisório.
Mas a Irmandade Muçulmana tem até agora recusado qualquer diálogo sem que antes Mubarak saia.