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Dois mil abutres envenenados na Guiné-Bissau

Segundo especialistas foi “o mais letal envenenamento intencional do mundo” deste tipo de aves. O abutre de capuz, a espécie visada, está em vias de extinção.
Abutres de capuz. Foto GabrielBuissart/wikimedia commons.
Abutres de capuz. Foto GabrielBuissart/wikimedia commons.

Em carta publicada esta sexta-feira na revista Science, um grupo de investigadores de vários países denunciou que dois mil abutres foram mortos na Guiné-Bissau. As aves, da espécie Necrosyrtes monachus (abutre de capuz), foram mortas com inseticida para vender certas partes do seu corpo que são utilizadas em alguns países da África Ocidental para feitiçaria.

Estes investigadores, em comunicado enviado à Lusa, dizem ter-se tratado do mais “letal envenenamento intencional de abutres do mundo”. Detalhando que “os abutres terão sido envenenados propositadamente para remover as suas cabeças para alimentar o comércio ilegal destinado à utilização de várias partes do seu corpo (cabeças, asas, unhas e patas) em práticas de feitiçaria em diversos países da África Ocidental”.

A Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa confirmou a causa da morte por envenenamento. E o diretor da Fundação de Conservação de Abutres, José Pedro Tavares, que é um dos signatários da carta enviada à revista científica internacional, esclarece que “as análises de toxicologia demonstraram inequivocamente que a causa de morte foi o envenenamento por metiocarbe, um inseticida vendido sob o nome comercial de Mesurol, que é, entre outros usos, frequentemente aplicado como controle de lesmas e caracóis e que foi recentemente banido na Europa devido à sua toxicidade para a vida selvagem”.

Segundo os cientistas, o envenenamento é causa de morte de 30% dos abutres no continente africano. Na região ocidental deste continente, nos últimos 30 anos, as populações de várias espécies de abutres terão diminuído entre 60 a 70%.

O abutre de capuz é uma espécie em perigo de extinção que consta parte da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza. Paulo Catry, Professor do Centro de Ciências do Mar e Ambiente do ISPA, informou a Lusa que “a Guiné-Bissau alberga mais de um quinto da população mundial desta espécie, sendo atualmente um dos países mais importantes para a conservação da espécie a nível mundial”.

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