No início dos anos 70, Daniel Elsberg, analista de informação contratado pelo Pentágono, fotocopiou e entregou ao jornal New York Times e a outros meios de comunicação escrita, um documento secreto do governo norte-americano sobre a guerra do Vietname.
O governo de Richard Nixon acusou Elsberg de espionagem e tentou impedir a publicação do documento, contudo, as acusações contra o analista acabaram por ser retiradas e o Supremo Tribunal de Justiça declarou, numa decisão histórica no que respeita ao direito à liberdade de informação, que seria inconstitucional impedir a divulgação da informação.
Quatro décadas depois, o estudo elaborado pelo Departamento de Defesa sobre as “Relações EUA-Vietname, 1945-1967” passou a estar disponível, na integralidade, com excepção de onze palavras que, segundo o jornal “El País”, estão riscadas e permanecerão desconhecidas para o grande público, na sede dos Arquivos Nacionais em College Park e em três bibliotecas presidenciais.
Ellsberg sempre defendeu que o estudo nunca deveria ter sido mantido confidencial e que “as razões para o sigilo prolongado estão ligadas ao facto de a formulação de políticas não consentir exame público”. “É vergonhoso, ou até mesmo incriminatório”, adiantou.
O documento veio confirmar que tanto a administração Kennedy como Johnson enganaram o público norte-americano sobre a guerra do Vietname. A falsidade das declarações sobre os ataques ao Golfo de Tonkin e o bombardeamento do Laos e do Camboja, e também das declarações de Johnson em 1964, quando este afirmou que os EUA estavam a procurar uma saída para o conflito, quando na verdade estavam a preparar-se para uma escalada, ficou comprovada neste estudo.