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Dirigente do Podemos defende em Lisboa a reestruturação da dívida

Durante uma iniciativa organizada pelo Círculo PODEMOS-Lisboa e a Associação MOB, o porta-voz do partido espanhol para as questões económicas, Nacho Alvarez, defendeu uma auditoria cidadã à dívida e o fim da austeridade. Sexta-feira, dia 21, o secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, participará numa sessão internacionalista promovida pelo Bloco e pelo GUE/NGL.

Para Nacho Alvarez, as medidas económicas que o PODEMOS defende “não são apenas desejáveis” mas são necessárias, para não se reeditar aquilo que já foi experimentado, sobretudo pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) nos anos 1970 e 1980 na América Latina.

“As medidas que estão a ser implementadas aqui em Portugal, na Grécia e em Espanha já foram experimentadas. Agora temos milhares de jovens que têm de sair de Espanha e de Portugal para garantir o próprio futuro. Ou mudamos já ou esta será uma década perdida como já aconteceu em outros lugares”

“As medidas que estão a ser implementadas aqui em Portugal, na Grécia e em Espanha já foram experimentadas. Agora temos milhares de jovens que têm de sair de Espanha e de Portugal para garantir o próprio futuro. Ou mudamos já ou esta será uma década perdida como já aconteceu em outros lugares”, alertou estav terça-feira o responsável do PODEMOS para as questões económicas.

Criticando as medidas de austeridade impostas pela troika aos países periféricos afetados pela crise económica e financeira, o professor da Universidad de Valladolid, economista do Podemos y coautor de Fracturas y crisis en Europa defendeu não só a reestruturação da dívida pública e privada mas também “uma auditoria cidadã” sobre a questão.

Nacho Alvarez frisou ainda que a nova formação política espanhola defende também um aparelho produtivo “sustentável”, uma nova política tributária, o combate à corrupção e fraude fiscal e sobretudo o fim dos cortes salariais, que advogou estarem a destruir o Estado Social.

“Os cortes salarias não estão a servir para o que nos disseram que iam servir, nem em Portugal, nem em Espanha, nem na Grécia. Mesmo que possam influenciar muito pouco com as exportações – não há dúvida de que contribuem para afundar ainda mais as famílias”, avançou.

No que respeita especificamente ao Estado Espanhol, o responsável do PODEMOS para as questões económicas destacou que os governos de direita, do PP, e de esquerda, do PSOE, “têm servido as elites”, sendo que os recentes casos de corrupção “fizeram despertar os cidadãos”.

Para Nacho Alvarez, a subida significativa do partido nas sondagens, “ameaçando o bipartidarismo” e contrariando as forças da esquerda tradicionais espanholas, é uma circunstância que pode abrir as portas a “uma segunda transição” no país, referindo-se aos acontecimentos políticos do Estado espanhol após a morte do ditador Francisco Franco e a elaboração da Constituição de 1977.

Na próxima sexta-feira, dia 21 de novembro, o secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, participará numa sessão internacionalista promovida pelo Bloco de Esquerda e o GUE/NGL com o tema “Unidos contra a austeridade”.

A iniciativa, que terá lugar no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa, a partir das 21 horas, contará ainda com as intervenções de Trevor Ó Clochartaigh senador do Sinn Féin da Irlanda; um representante do Syriza da Grécia; Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, e Marisa Matias, eurodeputada do Bloco.

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