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Dinamarca vai matar cerca de 17 milhões de visons por causa de mutação da Covid

214 pessoas foram infetadas pela mutação atribuída àquele animal. A Dinamarca é o maior produtor mundial de visons que são abatidos para lhe ser extraída a pele.
Visons em cativeiro. Foto de Dzīvnieku brīvība/Flickr.
Visons em cativeiro. Foto de Dzīvnieku brīvība/Flickr.

Uma nova mutação da Covid-19 foi descoberta na Dinamarca. A fonte do contágio destas 214 pessoas são os visons e o governo dinamarquês decidiu-se por medidas extremas: mandar abater todos os espécimes que estão a ser criados no país. Estima-se que sejam entre 15 a 17 milhões de animais.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, em conferência de imprensa, justificou o abate porque este tipo de mutação “poderia colocar o risco de que as futuras vacinas não funcionassem da forma como devem funcionar”, segundo a France Press. A operação, avança o chefe da polícia, Thorkild Fogde, deverá começar “o quanto antes” mas deve prolongar-se porque “é um empreendimento muito grande”.

Para além do abate dos animais, outras medidas foram implementadas: os habitantes da Jutlândia do Norte não podem sair dos seus municípios por quatro semanas, a indústria hoteleira fechou e eventos culturais e desportivos foram suspensos.

As suspeitas de que estes animais contagiam pessoas com a Covid-19 remontam, pelo menos, a maio passado. Nessa altura, na Holanda, descobriram-se infeções em dois trabalhadores que trabalhavam com visons. O governo holandês começou por proibir o transporte de peles, depois, em junho, com mais casos detetados, decidiu proceder ao abate de milhares de animais e, em agosto decidiu-se pelo fim da sua criação.

A Organização Mundial de Saúde insiste que a disseminação do vírus acontece principalmente entre humanos mas há provas de transmissão de humanos para animais. Alguns animais, incluindo animais domésticos como cães e gatos, testaram positivo. À AFP, a OMS esclarece que “em alguns casos visons que foram infetados por seres humanos transmitiram o vírus a outras pessoas".

São os primeiros casos registados de transmissão de animais para humanos. Sobre esta mutação em particular a instituição não adiantou muito, limitando-se a dizer à NPR que “é normal que os vírus tenham mutações ou se alterem com o tempo. A OMS trabalha com uma rede de investigadores, incluindo virologistas evolucionários, equipas de sequenciação e especialistas de biologia sintética para analisar estas alterações”. Segundo a mesma fonte, o governo dinamarquês também não providenciou quaisquer tipo de detalhes sobre a nova variação do vírus.

Pele de vison, um negócio milionário

Anualmente são abatidos, para a indústria têxtil, mais de 50 milhões de visons em todo o mundo. A China, a Holanda, a Suécia, a Polónia, a Espanha e os EUA competem pelo mercado mas é a Dinamarca que leva a melhor, vendendo 40% das peles a nível mundial.

A criação de visons foi introduzida neste país em meados dos anos 1920. De lá para cá, tornou-se uma dimensão económica importante na Dinamarca. As peles de vison são o terceiro maior produto de origem animal a ser exportado, rendendo 500 milhões de euros por ano. O negócio passa todo pela Kopenhagen Fur que realiza cinco leilões por ano.


Notícia atualizada às 13.52 com os números mais recentes do número de infetados com esta mutação e com as medidas do governo para deter a sua propagação.

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