Está aqui

Dias Lourenço (1915-2010)

Aos 95 anos, 17 dos quais preso e torturado pela ditadura, faleceu este sábado o histórico dirigente do PCP.
Dias Lourenço evadiu-se da prisão de Peniche e seis anos mais tarde organizou a fuga de dez militantes e dirigentes do PCP. Foto PCP

Torneiro mecânico de profissão, Dias Lourenço entrou para o PCP aos 17 anos de idade. Dez anos depois tornar-se-ia funcionário do partido responsável pelas tipografias e o aparelho central da distribuição da imprensa. Em 1943 foi eleito para o Comité Central, onde permaneceu até 1996. Foi deputado entre 1975 e 1987 e participou nos trabalhos da Assembleia Constituinte. Dias Lourenço foi director do jornal "Avante!" desde a sua primeira edição legal em 1974 até 1991.

A militância antifascista de Dias Lourenço obrigou-o a passar 17 anos na clandestinidade e outros 17 na prisão. Foi preso duas vezes: em 1949, tendo-se evadido cinco anos depois, atirando-se ao mar em Dezembro e conseguindo a ajuda de pescadores. Em 1960, de regresso à clandestinidade, viria a organizar outra fuga espectacular na mesma prisão de Peniche, que libertou onze militantes e dirigentes do PCP, entre os quais Álvaro Cunhal. Em 1962 seria novamente preso, mas desta vez seria o 25 de Abril a libertá-lo para assumir a direcção do jornal nos 17 anos seguintes. "Dirigi o jornal 17 anos, cumpri outros 17 de prisão e estive 17 anos clandestino. É o meu número da sorte e do azar...", dizia o dirigente comunista numa entrevista em 2004 ao portal Setúbal na Rede.

"Foi violentamente torturado, mas guardou sempre os segredos do partido e do seu povo", afirmou Albano Nunes, do Secretariado do PCP, à agência Lusa, ao recordar o forte apego de Dias Lourenço "à condição de trabalhador e de operário". O ex-deputado comunista Octávio Teixeira diz que Dias Lourenço era "muito combativo, muito persistente na luta pelos ideais que sempre abraçou. Era muito seguro nas suas ideias, mas estava sempre disponível para debater as suas próprias ideias e ouvir outras opiniões. Era uma pessoa muito simples".

O corpo de António Dias Lourenço está em câmara ardente na Casa Mortuária da Igreja de São Francisco de Assis, em Lisboa. O funeral realiza-se no domingo, pelas 16h30, no Cemitério do Alto de São João.


Ver filme "O Segredo", de Edgar Feldman, em que Dias Lourenço explica como conseguiu fugir de Peniche em 1954.

Termos relacionados Política
Comentários (1)