Dia Mundial do Teatro assinalado em todo o país

27 de março 2017 - 15:31

No dia Mundial do Teatro que se comemora esta segunda-feira, o encenador João Brites escreveu um texto onde sublinha que “se queremos combater as ditaduras é também ao Teatro que precisamos de dar apoio”.

PARTILHAR
Para João Brites, o teatro "amplia o espírito crítico". Imagem Jornal Tornado
Para João Brites, o teatro "amplia o espírito crítico". Imagem Jornal Tornado

No texto escrito a pedido da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e intitulado “Como quem chora e ri com a própria sombra”, o director do Bando refere que “a arte de contar histórias, na mistura do discuro direto com o indireto, introduziu a habilidade de construir outras vozes, outras pessoas a que poderiam corresponder outras sombras”.

“Há mais de cinquenta mil anos ter-se-á colocado o problema da representação das coisas, e consequentemente o da memória e o da representação”, sublinha João Brites, acrescentando que "ainda hoje é este mesmo problema que todos os dias tentamos resolver quando nos confrontamos com os públicos, e é ao procuramos desenvolver essas competências estruturantes que nos apercebemos da sua importância  na coesão das identidades individuais e colectivas.”

Noutro passo, João Brites faz referência à Cornucópia,  afirmando: “Durante dezenas de anos a continuidade de projetos como o da Cornucópia cativou um lugar na memória de cada um” e prossegue: “ Aquela sala de teatro que, como uma caverna, persistentemente escavaram, - e onde partilhámos tantas sombras que nos ajudaram a crescer como pessoas e como artistas,- passou agora para as mãos de quem sinta a necessidade de a usar preservando o seu espírito”.

N sua mensagem o dramaturgo não esquece aqueles que nunca vão ao teatro dizendo que “se um dia tiveres esse desejo, tem a certeza de que te receberemos de braços abertos” e chama a atenção que “nessa altura vamos chamar a tua atenção para o facto de não existir propriamente um Teatro, mas muitas maneiras diferentes de fazer Teatro e que, a pouco e pouco, precisarás de te confrontar com essa multiplicidade de estilos para seres capaz de fazer a tuas escolhas”.


O dramaturgo João Brites. Foto de Ana Teixeira (Teatro Municipal da Guarda)

João Brites deixa ainda uma advertência ao escrever que “não conseguimos deixar de pensar que, se queremos combater as ditaduras, os fascismos e outros fudamentalismos, é também ao Teatro que precisamos de dar apoio, porque é a única maneira de a maior parte das pessoas a ele terem acesso, ampliando o seu espírito crítico, emancipando-se na prática de uma cidadania mais ativa”.

“Se cada criança do meu país tivesse a possibilidade de assistir pelo menos a um espetáculo de teatro por ano, se se conseguisse rentabilizar o investimento que o Estado fez nos últimos anos ao promover escolas, professores, programas, construção ou recuperação de teatros […] poderíamos verificar que não somos suficientes e que nada vale sermos menos a pensar que assim cada um teria mais recursos”.

Iniciativas em todo o país

Para assinalar o dia, o Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, tem um conjunto de atividades que decorrerão ao longo de todo o dia e têm entrada livre.

Entre estas, cabe destacar  uma visita guiada à exposição Teatro em Cartaz: A coleção de D.Maria II, às 14.00h, com curadoria de Lizá Ramalho e Artur Rebelo. Às 16:00 e às 19:00, haverá a apresentação da "ação teatral" de curta duração Ethica. Natura e origine della mente, do encenador e artista plástico italiano Romeo Castellucci.

Depois da última apresentação desta ação, os espetadores poderão participar numa conversa com Romeo Castellucci que terá a moderação do poeta José Tolentino de Mendonça.

Às 21.30h, será apresentado uma criação da encenadora e atriz, Mónica Calle intitulada “Ensaio para uma cartografia".

Ainda em Lisboa, o Chapitô propõe-se celebrar as artes cénicas com a magia do circo com "O Teatro e o Circo". Este espetáculo conta com os alunos daquela companhia e também com os artistas italianos residentes artísticos do Chapitô, Katharina Gruener e Luca Sartor.

Por seu turno, na cidade do Porto, o Teatro Nacional São João (TNSJ) e o Mosteiro de São Bento da Vitória (MSBV) promovem três visitas guiadas, de entrada gratuita, à exposição "Noites Brancas", que classifica como "uma travessia por territórios cénicos que fazem a memória do teatro".

Além desta iniciativa, no foyer do São João e no átrio do mosteiro, é inaugurada a Feira do Livro de Teatro, que decorre até sexta-feira, 31 de março, e onde estarão disponíveis títulos editados e coeditados pelo TNSJ.

No âmbito da 19ª Semana Cultural da Universidade de Coimbra e do Festival Encontros Novas Dramaturgias (END-2017) o Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), leva à cena, às 22.00 horas o espetáculo, A Constituição, do dramaturgo Mickael de Oliveira.

A Companhia de Teatro de Almada comemora a data com iniciativas, de entrada livre, a partir das 17.00h. Durante o dia, no Teatro Municipal Joaquim Benite, haverá a leitura da peça Migrantes, de Matéi Visniec, o lançamento do terceiro volume da coleção "O sentidos dos mestres", dedicado ao encenador Ricardo Pais, e dois espetáculos com a peça A noite da iguana, de Tennessee Williams, encenada por Jorge Silva Melo, e Bonecos de Luz, de Romeu Correia, com encenação de Rodrigo Francisco.

Antes do espetáculo A noite da Iguana,  Jorge Silva Melo irá ler a mensagem do Dia Mundial do Teatro deste ano, da autoria da atriz francesa Isabelle Huppert.

Em Tondela, as comemorações tiveram início na passada sexta-feira, com uma produção de teatro radiofónico, criação artística conjunta da companhia Trigo Limpo Teatro ACERT com a Fundação Lapa do Lobo (FLL).

A Ilha Desconhecida, adaptação do conto de José Saramago, será apresentada em Tondela pode ainda ser vista no dia 27 de março, numa coprodução da Fundação José Saramago.

File attachments
Termos relacionados: Cultura