Dezenas de milhares marcham pela escola pública

14 de janeiro 2023 - 16:12

Em nome da dignidade dos professores e do valor do ensino público, um mar de gente percorreu as ruas de Lisboa. Catarina Martins declarou solidariedade porque esta “é uma luta pelo futuro do nosso país” e uma “enorme demonstração de força da escola pública”.

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Marcha pela Escola Pública. Foto de ANTÓNIO COTRIM/LUSA.
Marcha pela Escola Pública. Foto de ANTÓNIO COTRIM/LUSA.

Vindos de vários pontos do país, munidos de tambores, buzinas e lenços brancos para dizer “adeus ao ministro”, sobretudo professores mas também pais, alunos e outros cidadãos, participaram este sábado na Marcha pela Escola Pública. A Avenida da Liberdade encheu-se assim com dezenas de milhares de pessoas em desfile a caminho do Terreiro, que continuam desta forma um processo de luta dinamizado a partir de escolas de norte a sul e que não vai ficar por aqui.

“A lutar também estamos a ensinar” foi uma das frases chaves e “dignidade” voltou a ser uma das palavras mais ouvidas e lidas na tarde deste sábado. E as greves continuarão na próxima segunda-feira, quer as que têm decorrido, convocadas pelo Stop e pelo SIPE, quer as greves rotativas por distrito convocadas pela frente sindical de oito sindicatos, entre os quais a Fenprof, que se iniciam nesta data, assim como múltiplas outras iniciativas descentralizadas.

Presente na manifestação, a coordenadora do Bloco, Catarina Martins, declarou solidariedade por uma luta que “é uma luta pelo futuro do nosso país”, “pela democracia” e uma “enorme demonstração de força da escola pública” que o protesto constitui, considerando que “tem de ter consequências com ação já, pelos salários dos trabalhadores, mas também pelas condições da organização da escola, pelas condições do ensino, é isso que precisamos”.

Sobre a ação do governo, declarou aos jornalistas que se têm ouvido “muitas promessas e muitas palavras e não há ações do Governo. Tantas vezes que foi prometido 'agora é que é' e nunca mais é feito e as escolas estão à espera e as situações degradam-se”. Enquanto isto, “na realidade das escolas, os professores continuam com salários líquidos tão baixos que dificilmente pagam as deslocações para ir dar aulas ou para pagar uma renda no local onde estão colocados”, também a carreira continua a ser “maltratada”, e continuam a não ter condições de trabalho e “a ter um trabalho burocrático enorme”.

Sobre a questão da legalidade das greves que têm decorrido, a dirigente partidária sublinhou que “não deve ser limitado o direito à greve”. E sobre a instrumentalização dos seus efeitos, contrapôs: “não se utilizem desculpas nem para atacar uma luta que é de tanta gente e tão justa”, questionando “quantos alunos estão sem professores? Não é por causa da greve, é porque não há professores suficientes” devido à política do gGverno.

Assim, Catarina Martins reconhece que “a luta dos professores seguramente que é difícil para os pais, para as mães, para os alunos, mas todos sabem que o problema não é a greve, é mesmo a inexistência de tantas disciplinas durante tantos meses, que tornou tão difícil a vida das escolas, que o Estado já não está a conseguir sequer contratar os professores”.

 

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