No primeiro semestre de 2012, foram encerrados os processos de despedimentos coletivos relativos a 478 empresas, que abrangeram 4191 trabalhadores. Estes são os valores semestrais mais elevados desde 1995, ultrapassando, inclusive, todos os valores anuais registados neste período, com exceção dos verificados em 2009 e 2011. Só nestes dois anos o número de trabalhadores alvo de despedimentos coletivos foi superior ao ocorrido na primeira metade de 2012.
82% do total de empresas que concluíram processos de despedimento coletivo estão situadas no Norte e na região de Lisboa e Vale do Tejo, assim como 86% do total de trabalhadores afetados.
58% dos trabalhadores despedidos trabalhavam em micro e pequenas empresas, 41,5% em médias empresas e 16% em empresas com mais de 250 trabalhadores. Estes últimos estabelecimentos optam por recorrer a “rescisões amigáveis”, por forma a evitar a pressão dos sindicatos, a isolar os trabalhadores e reduzir o seu poder negocial e a desviar a exposição mediática.
Segundo deixam transparecer os números divulgados esta quinta feira pela Direção-Geral do Emprego e das Relações do Trabalho (DGERT) até ao final do ano, a tendência de aumento exponencial do número de despedimentos coletivos mantém-se. No primeiro semestre de 2012, 568 empresas iniciaram processos de despedimento coletivo, que visam abranger 5911 pessoas, contra os 3008 trabalhadores visados em 2011.
Em 2012, o executivo do PSD/CDS-PP introduziu alterações ao Código do Trabalho no sentido de dar maior facilidade ao patronato para despedir e de reduzir o valor das indemnizações por despedimento, ao mesmo tempo que alterou o regime do subsídio de desemprego, diminuindo o valor das prestações e o número de beneficiários.