Desemprego sobe para 14,9%, novo máximo histórico

16 de maio 2012 - 16:32

Dados do INE mostram que no 1º trimestre deste ano houve mais 48.300 desempregados que no trimestre anterior. Desemprego jovem e de longa duração também atingem máximos históricos. Bloco responsabiliza a permissão dada às empresas pelo governo para despedirem ilegalmente os trabalhadores.

PARTILHAR
Desemprego jovem e de longa duração também atingem máximos históricos. Foto de Paulete Matos

A taxa de desemprego em Portugal atingiu os 14,9% da população ativa no primeiro trimestre de 2012, o nível mais alto de sempre, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Esta taxa equivale a 819,3 mil trabalhadores no desemprego – mais 48.300 pessoas que no trimestre anterior, e mais 130.400 pessoas do que no primeiro trimestre de 2011.

A taxa de desemprego real já está perto dos 20%, se entrar nas contas a população que não procurou emprego nas últimas semanas antes de ser inquirida pelo INE; o número de desempregados será assim de mais de 1,1 milhão.

Desemprego jovem

A taxa de desemprego para jovens entre os 15 aos 24 anos atingiu os 36,2% no primeiro trimestre de 2012, o que também constitui um máximo histórico. Comparando com o mesmo trimestre de 2011, houve uma subida de 8,4 pontos percentuais no desemprego jovem.

De acordo com o INE, existem hoje 154,4 mil jovens desempregados, mais de um terço do total do grupo etário entre os 15 e os 24 anos.

Desempregados licenciados

O número de desempregados com ensino superior ultrapassou os 115 mil. O número de pessoas com ensino superior no desemprego mais do que duplicou em dois anos – no final de 2009, havia 55 mil licenciados nesta situação, agora são 115 mil. Ainda assim, o desemprego entre licenciados continua a ser inferior à média: uma taxa de 11,2%. O segmento mais afetado é o das pessoas que têm ensino secundário ou formação pós-secundária: entre estes, a taxa atinge os 16,9% (no caso das mulheres, 17,7 por cento).

Mais de metade das pessoas no desemprego (502 mil) tem apenas o ensino básico (até ao nono ano), mas a taxa entre as pessoas com menos estudos (15,4%) não é tão alta como entre quem tem formação secundária.

Mais de 400 mil procuram emprego há mais de um ano

O INE regista também que há 416 mil pessoas à procura de emprego há pelo menos um ano. A taxa de desemprego de longa duração (isto é, a percentagem da população ativa sem emprego há mais de um ano) atingiu os 7,6% – ou seja, mais de metade da taxa total. Estes números são também máximos históricos. No entanto, o desemprego de muito longa duração - pessoas sem emprego há mais de dois anos - caiu no primeiro trimestre, embora continue a níveis muito altos: estava nos 249 mil no último trimestre de 2011, está nos 228 mil no início de 2012.

Alguns destes desempregados terão arranjado emprego; outros terão desistido de procurar. Ainda segundo o INE, 17 por cento dos desempregados (independentemente da duração) no final do ano passado arranjaram emprego; outros 14 por cento passaram à condição de inativos.

Bloco: recorde vem da permissão dada às empresas para despedir ilegalmente

Francisco Louçã atribuiu o recorde histórico da taxa de desemprego à permissão que foi dada às empresas para despedirem ilegalmente os trabalhadores.

"Quando os números do desemprego hoje registam mais 50 mil desempregados em tão pouco tempo, quando atingimos o recorde histórico, é porque foi permitido facilitar o desemprego, porque foi permitido despedir ilegalmente trabalhadores", afirmou o coordenador do Bloco no final de um encontro com uma delegação dos 113 trabalhadores do Casino do Estoril que foram alvo de um processo de despedimento coletivo.

Apontando o caso do despedimento dos trabalhadores do Casino do Estoril como um dos casos de "despedimento ilegal" que têm ocorrido por todo o país, o deputado bloquista considerou que "lutar contra o desemprego é defender cada um dos desempregados" e impedir que se registem "estes casos sucessivos de abusos de empresas".

"Temos de parar esta sangria e é agora que ela deve ser parada", frisou , recordando que o Casino do Estoril é uma empresa que mantém resultados positivos e tem lucros importantes, mas optou por despedir 113 trabalhadores para substituir grande parte deles por outros em condições mais precárias ou com salários mais baixos.