A agência Lusa avança com o exemplo de David Torres, um desempregado de Alfândega da Fé, no distrito de Bragança, que, um mês depois de ter deixado de receber qualquer prestação, foi notificado pela Segurança Social para "restituição de prestações indevidamente pagas" no valor de 2.681 euros, metade do que recebeu durante mais de um ano de subsídio de desemprego e o social subsequente.
A notificação não esclarece a origem do valor apurado, contudo, quando David Torres se dirigiu aos serviços regionais foi informado de que "um novo programa informático deu que não tinha direito" aos 270 dias, mais 140 dos subsídios atribuídos, mas apenas a metade.
David Torres continua desempregado e alega que aquilo que recebeu serviu para sustentar a família, acrescentando ainda que se for obrigado a devolver essa quantia, terá estado a pagar para trabalhar, já que parte do tempo foi colocado num programa ocupacional numa instituição local.
Contactada pela Lusa, fonte da Segurança Social confirmou a situação deste e de outros beneficiários no país nas mesmas condições, assinalando que existiu um "desfasamento" entre a Segurança Social e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) na articulação do processo dos beneficiários.
O normal seria, conforme avançou, os serviços da Segurança Social terem reanalisado e corrigido as notificações geradas automaticamente e a informação enviada ao beneficiário ser a correta.
Todas as notificações "estão a ser reanalisadas" e "o beneficiário em questão, bem como outros nas mesmas condições vão receber outra notificação dando conta se esse cálculo está correto ou não", garantiu.
Da reanálise às notificações poderá resultar que os beneficiários possam "vir a ter que repor alguma coisa (fruto do desfasamento na entrada e registo do processo), mas nunca os valores em questão", de acordo ainda com a mesma fonte.