Frances Haugen, a ex-funcionária do Facebook que no mês passado revelou informações internas da rede social, deu uma entrevista ao programa “60 minutes”, da CBS, e é citada pelo jornal The Guardian.
A denunciante despediu-se da empresa no passado mês de maio e durante os últimos meses tem tornado público diversos documentos internos que comprometem o Facebook relativamente aos problemas causados pela rede social Instagram, nomeadamente entre raparigas adolescentes, mas optou por preferir a obtenção de lucros e não fazer qualquer tipo de alteração no seu funcionamento.
Frances Haugen referiu à CBS que “aquilo que vi no Facebook uma e outra vez foi que havia conflitos de interesses entre o que era bom para o público e o que era bom para o Facebook. E o Facebook, uma e outra vez, optou por otimizar os seus próprios interesses, como fazer mais dinheiro”.
“Imagine que sabe o que se passa dentro do Facebook, e sabe que ninguém lá fora sabe”, afirmou a cientista, acrescentando que “a dada altura, em 2021, percebi: Ok, vou ter de fazer isto de um modo sistemático e vou ter de tirar o suficiente para que ninguém questione que isto é real”.
A denunciante copiou milhares de documentos internos e confidenciais que incluíam, sobretudo, investigações e pesquisas internas sobre o impacto das redes sociais. Num dos documentos, o Facebook confirma que “o discurso de ódio, o discurso político divisivo e a desinformação no Facebook e na família de aplicações estão a afetar sociedades em todo o mundo”.
Haugen não tem dúvidas: “a versão do Facebook que existe hoje está a dividir as nossas sociedades e a causar a violência étnica por todo o mundo”, inclusive, no Myanmar.
“Facebook, over and over again, has shown it chooses profit over safety,” says Facebook whistleblower Frances Haugen. She believes the federal government should impose regulations and plans to testify before Congress this week. https://t.co/YoKIyorZzu pic.twitter.com/RWlk9QOwZu
— 60 Minutes (@60Minutes) October 3, 2021
Segundo a ex-funcionária do Facebook, a rede social nada tem feito para resolver este problema. “No seu telemóvel, pode ver apenas 100 conteúdos se se sentar e se fizer scroll durante cinco minutos. Mas o Facebook tem milhares de opções para lhe mostrar”, apontou.
O que acontece é que “o Facebook percebeu que, se mudar o algoritmo para ser mais seguro, as pessoas vão passar menos tempo no site, vão clicar em menos anúncios e eles vão fazer menos dinheiro”, vincou Haugen.
Para além das questões de violência, também está em causa o impacto do Instagram nos adolescentes. 13,5% das jovens afirmam que esta rede social lhes aumenta os pensamentos suicidas e contribui para distúrbios alimentares.