Cuba vai libertar 52 presos políticos

08 de julho 2010 - 16:30

O governo cubano anunciou que o primeiro grupo de presos será libertado ainda esta semana e os restantes num prazo de quatro meses, devendo todos rumar a Espanha. Raul Castro espera agora mudanças na relação entre União Europeia e Cuba.

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A libertação dos presos pode acabar com o bloqueio europeu a Cuba. Foto hominisnocturna/Flickr

A decisão de libertar os 52 elementos ainda presos do chamado "grupo dos 75", julgados e condenados a penas até 28 anos de prisão por realizarem acções "em favor dos Estados Unidos", foi tomada após um encontro do presidente cubano com o chefe da diplomacia espanhola e o arcebispo de Havana.



"O Governo espanhol aceitou a proposta de que todos os que forem libertados possam viajar para Espanha se for esse o seu desejo", declarou Miguel Ángel Moratinos antes de regressar a Madrid. O ministro espanhol pediu ainda a Guillermo Fariñas, em greve de fome há quatro meses e muito debilitado fisicamente, para que abandone o protesto. Fariñas já anunciou que terminará a greve de fome assim que o primeiro grupo de presos for libertado.



O efeito diplomático desta libertação joga-se agora no campo da União Europeia, com Moratinos a deixar claro que se trata de um passo para que a UE reveja a sua posição comum adoptada sobre Cuba, que significava na prática a adesão ao bloqueio económico da ilha. "As medidas tomadas por Cuba seguem na direcção certa", disse a alta representante da política externa da UE, Catherine Ashton.



"Já não há nenhuma razão para manter a posição comum" europeia, avisou por seu lado Moratinos. "Era isto que me pediram os meus colegas, espero que agora respondam ao compromisso", acrescentou o chefe da diplomacia de Madrid ao jornal El País.

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