Em comunicado de imprensa, a Comissão de Trabalhadores da Meo faz contas ao “prémio modesto” atribuído excecionalmente pela empresa em comparação com as quantias “indecorosas” “recebidas alegadamente pelos nove membros do Conselho de Administração, denunciando a “injusta distribuição da riqueza” na empresa.
Os trabalhadores criticam o aumento proposto de 1,5% que “se revela inadequado frente à inflação substancialmente mais elevada colocando os trabalhadores numa posição de desvantagem financeira crescente”. Acrescentam que “em apenas 12 meses, a perda efetiva é de 100€”, um cenário que, “somado à crescente inflação e à subtração de coberturas nos planos de saúde com aumentos significativos nas quotizações, reflete uma decisão da administração da Meo de agravar ainda mais a situação dos seus trabalhadores”.
É neste quadro que se explica que os trabalhadores da empresa receberam com “sentimentos ambíguos” a notícia da atribuição de uma compensação extraordinária de 650€ durante a tradicional festa de Natal no Altice Arena.
Trata-se de “uma operação financeira pontual”, sublinham, “e não como uma medida duradoura” mas que é “bem-vinda para aqueles e aquelas cerca de 800 pessoas que recebem até 1.000€ e para as cerca de 2.800 pessoas que recebem menos de 1.500€, sendo perto de metade dos trabalhadores da empresa. Só que não deixam de o relacionar com os 4,25 milhões de euros recebidos pelos nove membros do Conselho de Administração, “distribuídos exatamente no mesmo ano em que ocorreu um despedimento coletivo inédito na Meo”. Assim, “a média recebida por cada administrador, quando calculada per capita, representa quase meio milhão de euros, cerca de 350 vezes mais do que a média de cada trabalhador”, concluem.