Crédito à habitação: banca sobe 'spread' para valor recorde

09 de janeiro 2012 - 12:03

'Spreads' do crédito à habitação, a taxa de juro que tem o poder de determinar as condições do empréstimo, disparam no início do ano. Na situação mais extrema, verificada no Banif, o 'spread' já pode chegar aos 7,95%. Ainda há 5 anos atrás, os 'spreads' não iam além de 1%.

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Neste contexto, o mercado de arrendamento ganha relevância como alternativa à compra de casa própria e é por isso que a nova lei do arrendamento deveria ser uma oportunidade para garantir o direito à habitação e não uma lei do despejo. Foto de Paulete Matos.

Segundo a manchete do Diário Económico desta segunda-feira, recorrer ao crédito para comprar casa é cada vez mais caro e difícil e o novo ano não traz boas notícias para quem pretenda dar esse passo agora. Esta situação deve-se em parte aos 'spreads' do crédito à habitação que não param de subir. No espaço de pouco mais de um mês, foram seis os bancos a operar em Portugal que reviram em alta os 'spreads' (mínimos e/ou máximos) para valores que quase batem os 8 por cento.

Segundo o mesmo jornal, tal aconteceu com o Santander, Montepio, Barclays, Banif, Crédito Agrícola e o Deutsche Bank. Na situação mais extrema, quem tentar negociar m empréstimo para comprar casa com o Banif poderá ser confrontado com um 'spread' de 7,95 por cento.



A tendência de subida de 'spreads' na habitação não é novidade. Desde 2009 que o preço que é cobrado pelos bancos para conceder este tipo de crédito tem vindo a escalar. Só no último ano, a média dos 'spreads' mínimos divulgados nos preçários dos bancos mais do que duplicou para cerca de 3 por cento. Já os 'spreads' máximos suplantam os 5 por cento em todas as 13 instituições financeiras analisadas.



Todos os constrangimentos relacionados com risco de incumprimento têm levado os bancos a subir os 'spreads' no crédito à habitação, de forma generalizada. Desde o início do ano passado, os bancos estrangeiros - como o BBVA e o Deutsche Bank - foram aqueles que mais subiram este indicador. Já o Crédito Agrícola é um dos bancos que mais agravou o 'spread' mínimo, sendo que, no espaço de um ano, este mais do que triplicou, de 1,4 por cento para 5,12 por cento. Do lado oposto, o BPI destaca-se como uma das instituições que menos incrementos de 'spreads' levou a cabo no último ano.



Apesar de esperarem que os níveis elevados de 'spreads' são para perdurar e que não é de afastar mais subidas no custo do crédito à habitação, os especialistas ouvidos pelo DE não acreditam que ocorram agravamentos consideráveis.



Neste contexto, o mercado de arrendamento ganha relevância como alternativa à compra de casa própria e é por isso que a nova lei do arrendamento deveria se ruma oportunidade para garantir o direito à habitação e não uma lei do despejo, como têm dito as vozes críticas em relação à proposta do Governo, a do Bloco de Esquerda, por exemplo. Ler mais em Nova lei das rendas é de “extrema insensibilidade social", Como funciona a Lei dos Despejos e "Esta é a lei do despejo e não do arrendamento".