Citado pelo Diário de Notícias, o presidente da ANDAEP refere que, "se já se falava em burnout, é previsível que o stress e a exaustão emocional estejam [agora] a níveis mais elevados" Filinto Lima acrescenta ainda que “existe um grave risco de aumento nas requisições de atestados psicológicos e psiquiátricos”. Os sindicatos já tinham chamado a atenção para este problema, que "aumentou brutalmente". As advertências surgem também por parte do Sindicato de Todos os Professores: Em tempos de pandemia, "muitos docentes estão ainda mais perto da exaustão", destaca.
Na reportagem do DN, Paula Nunes, professora e que sofre de depressão crónica, refere que “com o tempo e os desafios da profissão que escolheu”, a doença “tem vindo a agravar-se. Ainda mais desde que a pandemia a obrigou a transformar a forma de exercer”. Decidiu reduzir o horário e só dar 45 minutos diários de aula, mas o dia continua depois disso, muito longe dos horários previstos na lei e no seu contrato. Frisou que tem um único aluno com necessidades especiais e "que precisava de um apoio extra".
Professores apontam a intervenção dos pais como um dos maiores motivos de stress. Comentam o que está a lecionar durante uma aula, dão as respostas aos filhos enquanto assistem à mesma, pedem aos alunos para a interromper com determinadas perguntas, exigem menos trabalhos, entre outras.
Cláudia Soto, professora, relata como a tecnologia incentivou a violência por parte de alguns alunos. Afirma que "em 26 anos de trabalho, pela primeira vez, fui insultada. As aulas corriam normalmente, em formato de videoconferência, para garantir que a matéria fluía da mesma forma para todos. Um dia, depois de ter dado por terminada a aula síncrona, Cláudia recebe um pedido para atender uma nova videochamada de um aluno. Do outro lado, ouviu ser-lhe repetido vezes sem conta o mesmo insulto, porca”. Como consequência, a professora de Português de Monção recusou-se a dar aulas por videoconferência, por segurança.