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Coronavírus contagia a economia mundial

O coronavírus já infetou mais de 42 mil pessoas e causou a morte a mais de mil. É uma epidemia mundial mas continua concentrado sobretudo na China. Só que os efeitos que está a ter na economia chinesa alastram-se a todo o mundo.
Foto de Studio Incendo/Flickr.

Os números de pessoas afetadas pelo coronavírus continuam a crescer. Na China, são agora mais de 42 mil infetados, 1016 dos quais morreram. Apesar de 99% dos casos registados serem neste país, há mais de 460 pacientes em 24 países.

 

Para responder ao surto, o governo chinês colocou de quarentena cidades e zonas inteiras. 60 milhões de pessoas têm as suas deslocações limitadas ou impedidas. Depois do prolongamento do feriado do Novo Ano Lunar, há agora um regresso às atividades económicas noutras regiões, mas tal está longe de constituir um regresso à normalidade no país.

A escala da resposta do governo chinês, que chegou a ser elogiada pela Organização Mundial de Saúde, é enorme mas não deixa por isso de ser contestada domesticamente. A morte do médico que denunciou o surto mas foi ameaçado pelas autoridades causou comoção e a gestão inicial do caso está a ser acusada de ser lenta e ineficaz. Os bodes expiatórios foram, para já, encontrados localmente. Depois do responsável pela cidade de Wuhan ter assumido culpas, foi a vez de dois administradores do topo da área da saúde de Hubei, Zhang Jin e Liu Yingzi, se demitirem.

O presidente Xi, por sua vez, tenta mostrar o seu empenho na “guerra contra a doença”. Por isso, mediatizou a visita a um centro de saúde em Beijing.

Ao mesmo tempo dá sinais noutro sentido. Segundo a Reuters, o presidente chinês terá lançado numa reunião da direção do partido o aviso de que o combate ao vírus foi longe demais e está a prejudicar a economia, exigindo contenção face a “medidas mais restritivas”. Também o vice-governador do Banco Central Chinês, Pan Gongsheng, sugerira na sexta-feira algo semelhante: “no contexto da epidemia e a pressão em baixa para a economia, é mais importante manter o crescimento económico.

Entre o medo do coronavírus e o medo dos efeitos económicos da resposta à epidemia

As preocupações multiplicam-se porque, num país que já se encontrava no ponto mais baixo de crescimento económico em 30 anos, os efeitos do surto de coronavírus e das medidas tomadas para o combater estão a ser significativas. A JPMorgan diz que a epidemia “alterou completamente a dinâmica da economia chinesa”.

As dificuldades fizeram mais de 300 empresas pedir empréstimos no valor de 7,55 mil milhões de euros. Entre elas, segundo fontes bancárias, há empresas como a Xiaomi e outras que, sendo menos conhecidas no ocidente, são importantes a nível nacional como Meituan Dianping e a Didi Chuxing.

Há fábricas e estradas fechadas, as cadeias de produção habituais foram rompidas e começaram os despedimentos. Por exemplo, esta segunda-feira, a Xinchao Media comunicou que afastou 500 trabalhadores. A cadeia de restaurantes Xibei diz não estar em condições de pagar os seus 20 mil trabalhadores.

A palavra de ordem passou a ser por isso, “recuperação económica”, devendo, sobretudo os setores vitais da economia, voltar à produção. Para além disso, avança a Reuters, há um pacote fiscal em preparação que vai implementar os gastos e cortar taxas de juro.

Um vírus na economia mundial

Não é só na China que o coronavírus tem efeitos económicos nocivos. Em primeiro lugar, porque a indústria chinesa abastece parte do mundo. Fábricas de marcas internacionais como a Apple, que concentra aí grande parte da produção pararam.

A indústria automóvel também enfrenta consequências graves. A Nissan Japonesa anunciou uma paragem devido à falta de material proveniente da China. General Motors, Ford, Daimler, Fiat e Hyundai estão a enfrentar paralisações do mesmo tipo.

A ordem de regresso ao trabalho está a chocar com as rígidas medidas de controlo sanitário impostas às fábricas pelas autoridades locais. Em várias localidades, estas só podem reabrir depois de controlado o historial de deslocações de cada empregado, de verificado se não têm sintomas de contágio e do seu plano de saúde ser aprovado pelos municípios. O governo Shanghai informou que apenas 70% das fábricas estavam a tomar medidas para regressar à produção e que poucas tinham recebido já autorização.

Para além da produção paralisada, há atrasos na distribuição. Quer devido às estradas encerradas, quer devido às medidas de quarentena que algumas cidades estão a impor aos camionistas que tenham vindo de ou passado por zonas mais atingidas pelo surto.

Com milhões retidos em casa, o consumo desce e as importações também se ressentem. Numa economia globalizada, quando um vírus atinge a segunda maior potência mundial, o globo inteiro é afetado.

Mobile World Congress em perigo

Em Barcelona, o Mobile World Congress é outra das vítimas colaterais do coronavírus. Os organizadores ainda não tomaram a decisão de cancelar ou adiar o evento, que deveria começar a 24 de fevereiro, mas muitas das marcas anunciadas mas já fizeram saber que não estarão presentes.

As principais operadoras de telecomunicações europeias estão divididas quanto ao assunto: Vodafone e Deutsche Telekom fizeram saber que estão a ponderar seriamente não participar; a Orange, que detém a presidência da associação de operadores de telecomunicação, e Telefónica, que é a anfitriã, resistem. Da mesma forma, governo espanhol e Câmara de Barcelona pretendem que o certame se realize dado o seu impacto económico. Mas ainda que acontece mesmo, não será como outros anteriores. A lista de deserções é grande e está cheia de multinacionais e gigantes do setor: Intel, a LG, a Ericsson, a Nvidia, a Umidigi, Gigaset, a Mediatek, a chinesa Vivo, a japonesa NTT DoCoMo, a Amazon e a Sony já disseram que não irão.

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