“O CR/RDP lamenta ter sido colocado perante o facto consumado. Assim, não resta a este CR outro caminho que a demissão, em protesto por um processo que coloca em causa a Informação da RDP, assim como a própria qualidade/operacionalidade do Serviço Público de Rádio”, pode ler-se num comunicado citado pela agência Lusa.
Segundo o CR, o processo de alteração – que implicou que as emissões passassem a ser garantidas sem animadores, funcionando em piloto automático, com exceção dos noticiários de hora a hora - “foi consumado na madrugada de domingo para segunda-feira, com prejuízo da qualidade do serviço informativo da Rádio Pública, tal como o CR/RDP já havia alertado na sexta-feira, dia 09 de maio, considerando que a própria lei não foi respeitada”.
“O Serviço Público de Rádio sempre foi feito com pessoas e deverá continuar a ser feito com elas e não em modo de ‘piloto automático’"
“Tal facto, por si só, configura matéria passível de queixa ao Sindicato dos Jornalistas, Entidade Reguladora para a Comunicação Social e Ministério Público”, adianta o CR, reforçando que é “totalmente contra” a alteração das emissões. “O Serviço Público de Rádio sempre foi feito com pessoas e deverá continuar a ser feito com elas e não em modo de ‘piloto automático’”, defende.
Na sexta-feira, a Direção de Informação garantiu que “iria solicitar mais informações à Direção de Programas e que, de imediato, discutiria com a Direção de Informação as supostas alterações”, tendo o CR assumido “o compromisso com o DI de aguardar” que fosse enviado um comunicado à redação e que fossem dados “adicionais esclarecimentos”.
“Já esta segunda-feira, o CR/RDP reuniu-se com o DI, tendo sido informado de que as madrugadas sem animador são para continuar, ainda que com alguns acertos do ponto de vista operacional”, refere o comunicado.
O CR afirma que “se sente defraudado na sua boa-fé, por ter acreditado que qualquer decisão seria previamente comunicada à redação e jamais colocaria em causa as condições em que o jornalista realiza o seu trabalho”.
Questionado no Parlamento pelo Bloco de Esquerda sobre as alteração das emissões e sobre se confirmava uma eventual demissão do Conselho de Redação da rádio, o presidente da RTP, Alberto da Ponte, afirmou não ter conhecimento desta situação, prometendo "averiguar" a situação.
O CR/RDP esclarece entretanto no comunicado ter sido “informado do interesse da administração em ouvir as [suas] preocupações” sobre esta matéria, na quarta-feira.
CT da RTP e da Lusa "manifestam toda a solidariedade para com o Conselho Redação da Antena 1"
Em comunicado, “as comissões de trabalhadores da RTP e da Agência Lusa manifestam toda a solidariedade para com o Conselho Redação da Antena 1 que se demitiu em protesto contra as alterações na condução das emissões das madrugadas e que colocam em causa a informação da rádio pública”.
Segundo estas CT's, a medida “além de configurar um insulto aos profissionais da rádio – demonstra profunda falta de respeito para com os ouvintes e uma total insensibilidade sobre o serviço público de comunicação social e desconhecimento sobre a forma como deve ser mantida uma emissão em direto que é transmitida para todo o mundo, 24 horas por dia”.
“Para as comissões de trabalhadores da RTP e da Agência Lusa, a decisão do Conselho de Redação da Antena 1 - ao apresentar a demissão - é um ato de coragem e de grande responsabilidade no sentido da defesa do serviço público de comunicação social em Portugal”, lê-se no documento, no qual as as comissões de trabalhadores da RTP e da Agência Lusa “reforçam todo o apoio ao Conselho de Redação da Antena 1 em todas iniciativas que decidir levar a cabo, incluindo as que já foram anunciadas sobre a eventual queixa ao Sindicato dos Jornalistas e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social”.