Conheça os candidatos às presidenciais egípcias

23 de maio 2012 - 16:13

Quinze meses após as revoltas que puseram fim aos 20 anos do governo de Hosni Mubarak, os egípcios vão às urnas esta quarta e quinta-feira para escolher o novo presidente do país, terminando assim o período de transição de um governo militar para um governo civil. Artigo de Sandro Fernandes, no Cairo.

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Foto Kodak Agfa/Flickr

O Egito é o país mais populoso do mundo árabe e mais de 50 milhões de pessoas devem comparecer às secções eleitorais nestes dois dias de votação. O voto no país não é obrigatório e esta é a segunda eleição com mais de um candidato na história contemporânea do Egito. Em 2005, Mubarak foi reeleito como presidente, mas o resultado foi contestado por observadores devido a alegações de fraudes por todo o país.



Os resultados dos votos dos egípcios que residem no exterior já foram divulgados e apontam uma larga vantagem para o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammad Mursi, graças ao apoio massivo dos eleitores residentes na Arábia Saudita. Na França, o candidato Hamdin Sabbahi foi o vencedor, enquanto no Brasil houve um empate entre Aboul Foutoh e Hamdin Sabbahi.



Apesar de não haver no Egito centros de pesquisa independentes de intenção de votos, os analistas afirmam que a percentagem de indecisos pode chegar a 40%.



Nenhum dos 12 candidatos deve conseguir a maioria absoluta neste primeiro turno, o que levará a eleição a uma segunda etapa, a ser realizada nos dias 16 e 17 de junho. Alguns grupos afirmaram que caso seu candidato não passe para o segundo turno, mais manifestações serão organizadas na Praça Tahrir. A nomeação do presidente eleito está prevista para o dia 21 de junho.



Os doze candidatos estão sendo classificados em três grupos – feloul (membros do antigo governo), islamitas e independentes. Conheça abaixo os doze candidatos:



Feloul (antigo governo)



Amr Moussa

Amr Moussa foi secretário-geral da Liga Árabe e ministro de Relações Exteriores do Egito durante 10 anos, mas agora tenta se distanciar da imagem de ex-aliado de Mubarak e se apresenta como “um liberal que acredita na justiça social”.

Moussa diz que sua prioridade como presidente será “colocar o Egito no caminho certo”, além de reformar os três poderes do Estado. É um dos favoritos na corrida presidencial. “Uma economia livre é o melhor sistema económico, desde que haja também justiça social”, afirma Moussa. “Pequenas e médias empresas são a espinha dorsal da economia egípcia”, completa.

O candidato apoia o reconhecimento do Estado de Israel e também a criação de um Estado Palestino.

 

Ahmed Shafiq

Ahmed Shafiq foi o último primeiro-ministro de Mubarak e sua candidatura provocou reações diversas entre a população. Muitos o associam ao antigo governo, mas seus defensores dizem que Shafiq sempre foi uma voz da oposição no governo de Mubarak. Sua campanha ressalta o facto de ter sido ministro da aviação civil durante nove anos, qualificando-o assim como “o único candidato presidencial com uma bem-sucedida experiência administrativa”.



Os panfletos da campanha destacam que Shafiq é o “candidato de decisões revolucionárias” porque ele pediu que governadores regionais mudassem o nome das ruas do país e colocassem o nome de ativistas revolucionários mortos durante a primavera egípcia, além de ter congelado bens de figuras importantes do antigo governo. Shafiq é um dos favoritos neste primeiro turno.



Husam Khayrallah

Candidato do Partido da Paz Democrática. Sem hipóteses reais de passar para a segunda volta, Khayrallah serviu o exército como pára-quedista e depois fez parte da Inteligência General durante quase 20 anos. Desconhecido para a maioria dos eleitores.



Abdallah al-Ashal

Abdallah al-Ashal é professor de Direito Internacional na Universidade Americana no Cairo e um ex-ministro adjunto das Relações Exteriores.

Também sem hipóteses reais de passar à segunda volta, Al-Ashal diz que sua prioridade é “defender os interesses nacionais e proteger a revolução”.



Islamitas



Abdul Moneim Aboul Fotouh

Aboul Fotouh foi membro da Irmandade Muçulmana durante muito tempo, mas em maio de 2011 foi expulso do movimento ao anunciar que queria concorrer à presidência. Conhecido por suas ideias liberais, Fotouh apoiou as revoltas de janeiro de 2011 e pediu que o Ocidente não temesse um golpe islâmico.

No seu programa político, enumera quatro aspirações principais: promover a liberdade no Egito, fortalecer a educação e a pesquisa científica, abrir as portas para o investimento estrangeiro no país e promover o valor da justiça. Fotouh é um dos favoritos.



Mohammad Mursi

Mohammad Mursi é o líder do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana. Aparece nas sondagens com menos de 10% das intenções de voto, mas analistas políticas afirmam que Mursi tem chances reais de passar ao segundo turno porque as pesquisas não refletem com exatidão as intenções de voto no Egito. A Irmandade Muçulmana ainda é o único movimento político conhecido em todo o país e este pode ser um diferencial nas urnas.

 



Muhammad Salim al-Awwa

Al-Awwa é um pensador islâmico, advogado, apoiado pelo partido centrista Al-Wasat. O candidato diz em sua plataforma que quer “ajudar os pobres a superarem a pobreza”. E apoia a liberdade irrestrita para as pequenas empresas, além da eliminação da burocracia governamental. Al-Awwa não tem chances de passar ao segundo-turno, segundo as pesquisas.





Independentes



Hamdin Sabbahi

Hamdin Sabbahi é o co-fundador do partido al-Karamah, que apoia a ideologia nacionalista do nasserismo. É conhecido por sua ferrenha oposição ao antigo governo, fortes posições anti-Israel e de apoio à questão palestina. Ele descreveu Israel como "um estado hostil expansionista, racista, que não quer a paz". Alguns analistas afirmam que Sabbahi pode ser uma surpresa neste primeiro-turno.



Khalid Ali

É o mais jovem dos candidatos e um proeminente militante de esquerda. É advogado trabalhista e luta pela defesa dos direitos humanos. Sem chances reais de passar ao segundo turno, de acordo com as pesquisas.



Hisham al-Bastawisi

Hisham al-Bastawisi é retratado como um herói nacional do movimento de independência do poder judiciário. É conhecido pela oposição ao antigo regime durante as eleições parlamentares de 2005, marcadas por inúmeros casos de fraude, mas as chances de ir à segunda volta são nulas.



Abu al-Izz al-Hariri

Al-Hariri é membro do parlamento, socialista e ativista trabalhista. Em 1976, ele se tornou o mais jovem ministro do Egito. Foi preso cinco vezes na era Sadat por causa de seu ativismo trabalhista e sua oposição aos acordos de Camp David de 1978.

Hariri foi um dos membros fundadores do Partido da Aliança Socialista Popular, o primeiro partido de esquerda legalizado após a revolução do Egito, mas não tem chances de passar ao segundo-turno.



Mahmud Hussam

Hussam formou-se na Academia de Polícia em 1958 e ocupou vários cargos policiais. As sondagens indicam que não tem apoio popular.


Publicado no site da Opera Mundi.