Confrontos sobem de tom na Turquia

01 de junho 2013 - 12:53

A brutal repressão do protesto contra um projeto urbanístico que vai arrasar um parque de Istambul originou uma das maiores manifestações contra o governo de Erdogan: As manifestações estenderam-se à capital turca, Ancara, e outras cidades, com um balanço de mais de mil feridos.

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Ao início da manhã de sexta-feira, a polícia avançou com canhões de água para desocupar o parque.

O centro de Istambul tornou-se o palco de uma batalha campal entre polícia e os manifestantes que querem impedir o arranque de 600 árvores no parque Gezi, situado na praça Taksim. O projeto de remodelação desta praça, considerada o coração de Istambul, inclui o fim do parque e a construção de um centro comercial, um centro cultural e a reconstituição de uma caserna militar da época otomana. Desde o início, este projeto do município liderado pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento do primeiro-ministro Tayyip Erdogan, mereceu a forte oposição de urbanistas, ecologistas e da oposição. Na semana passada, um tribunal de Istambul deu-lhes razão e mandou suspender a reconstrução da caserna, mas a chegada das máquinas de construção alguns dias depois ao terreno pôs a população em alerta.

Esta sexta-feira, a polícia turca atacou os manifestantes com gás lacrimogéneo e canhões de água logo pela madrugada. A brutalidade da ação policial acabou por incendiar ainda mais os ânimos e a trazer pessoas de outros pontos da cidade a juntarem-se ao protesto que decorreu durante todo o dia. Segundo a Associação Médica Turca, citada pelo Guardian, cerca de mil pessoas ficaram feridas na sequência dos confrontos. Há também notícias de muitas dezenas de detidos durante todo o dia.

"O uso de gás lacrimogéneo nestas proporções é inaceitável. É um perigo para a saúde pública e como tal é um crime. Infelizmente, não temos um Procurador com suficiente coragem para enfrentar a polícia", afirmou Ozturk Turkdogan, o líder da Associação de Direitos Humanos da Turquia, citado pelo diário britânico. Este sábado, a polícia ocupou a praça e tem tentado impedir milhares de pessoas de se aproximarem para protestarem pelo segundo dia consecutivo. As agências de notícias confirmam que continuam a ser usados canhões de água e gás lacrimogéneo contra as pessoas no centro da cidade.

Os ecos da repressão em Istambul  rapidamente chegaram à capital Ancara, a Izmir e a outras cidades, com milhares de manifestantes a exigirem a demissão do governo. Erdogan, no poder desde 2002, viu aumentar a crítica de boa parte da sociedade sobre tentativas de islamizar a sociedade. A lei aprovada na semana passada com maiores restrições à venda e consumo de bebidas alcoólicas foi um desses sinais, sobretudo quando o primeiro-ministro a defendeu chamando alcoólicas às pessoas que as consomem.