Esta segunda-feira iniciou-se a transmissão de conteúdos do programa “Estudo em Casa” para o Ensino Secundário. Isto significa que aos 15 blocos pedagógicos diários para o Ensino Básico, transmitidos pela RTP Memória, se somam 15 blocos pedagógicos específicos para o Secundário, a serem transmitidos na TDT no canal oito (no nove no caso da Madeira e dos Açores) e na televisão por cabo na posição 444.
Os conteúdos serão transmitidos entre as 9h00 e as 16h30, de segunda a sexta-feira, com os do Secundário a serem repetidos a partir do final desse horário. Estão igualmente disponíveis na RTP Play e na aplicação #EstudoEmCasa. Haverá também interpretação em língua gestual portuguesa. Para além das componentes curriculares dos cursos Científico-humanísticos, também os conteúdos dos cursos profissionais, do 1º ao 3º ano, serão transmitidos por esta via.
Em comunicado, o governo salienta ainda que a RTP2 reforçou os conteúdos infantis, o que considera uma resposta particularmente importante para as crianças da Educação Pré-Escolar".
“Tremenda falta de recursos” para ensino à distância
Em conferência de imprensa, a Fenprof salienta que a telescola não é suficiente e critica que não tenham sido tomadas "medidas que resolveriam alguns dos principais problemas que foram conhecidos e identificados" aquando da última altura em que se recorreu ao ensino à distância. O que foi feito foi “tardiamente ou em cima do joelho”, denuncia-se.
Segundo Mário Nogueira, há muitos pedidos de apoio a chegar aos sindicatos, num “cenário de confusão”. O que faz crer que o governo “não acreditou que as escolas iam voltar a fechar” não se tendo preparado devidamente para esse efeito.
O secretário-geral da federação sindical nota que faltam equipamentos informáticos para alunos e professores, quando por lei o empregador os deveria fornecer aos trabalhadores em teletrabalho. Dos computadores prometidos, faltam 93%. E tendo sido prometidos em abril para chegar em setembro, “é estranho que a encomenda tenha sido feita no final de dezembro”. “Dificilmente chegariam com retroatividade”, ironiza o dirigente sindical, concluindo que “o governo não foi honesto com o que se comprometeu” e que subsiste uma “tremenda falta de recursos materiais e humanos”.
A Fenprof encontra ainda outros problemas na aplicação do ensino à distância: mantêm-se problemas de acesso à internet, não há garantias de apoio a docentes com filhos menores de 12 anos, falta diferenciação de metodologias e tempos letivos, porque ensinar à distância é diferente e há escolas a impor tempos letivos iguais aos presenciais. Outra questão que se faz sentir é que em vários casos de alunos que não têm acesso a equipamentos informáticos e têm de se deslocar às escolas, há estabelecimentos de ensino que optam por lhes dar aulas presenciais em vez de acesso aos equipamentos informáticos, gerando uma duplicidade de situações.
Mas, apesar das dificuldades, assegura Mário Nogueira, os professores não vão abandonar os seus alunos.
Um outro sindicato, o Sindicato de Todos os Professores, decidiu convocar uma greve de uma semana que começa esta segunda-feira. Para o STOP, o governo é “irresponsável” e a ação visa exigir condições para o ensino à distância. Também a falta de meios informáticos, de acesso à internet e a situação dos docentes com filhos menores são invocadas por esta estrutura. “Além de pressionar o Governo a melhorar as condições” escrevem em comunicado, a greve “permitirá que os profissionais de educação que sintam a sua saúde e vida em risco a possam salvaguardar”.