Está aqui

Cobrar comissões nas transferências MB Way é injustificável, defende Deco

A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor avança que “não há nada que justifique estas comissões pelas transações MB Way”, sendo “apenas e só uma decisão comercial por parte dos bancos, que viram aqui mais uma grande fonte de receitas”.
Foto de Shatabisha, Wikimedia Commons.

De acordo com Vinay Tranjivan, economista da Deco, citado pelo Expresso, a cobrança de comissões pela MB Way por parte dos bancos vai ao arrepio do “grande movimento que está a haver ao nível da Comissão Europeia e do sistema bancário europeu no sentido de facilitar aos cidadãos as transferências imediatas de dinheiro”, e pode por ter o “efeito contraproducente” de reduzir esta utilização.

“Não há nada que justifique estas comissões pelas transações MB Way, nenhuma ocorrência nos últimos meses que suportasse esta mudança, é apenas e só uma decisão comercial por parte dos bancos, que viram aqui mais uma grande fonte de receitas”, destacou Vinay Tranjivan.

“Agora que grande parte da população usa o serviço MB Way, e depois do grande trabalho que houve por parte do regulador (Banco de Portugal) e do implementador em termos tecnológicos (a SIBS), os bancos vêm agora dizer: ok, os clientes já estão acostumados, vamos mas é começar a cobrar comissões”, acrescentou.

O economista da Deco recordou também que, em setembro de 2018, os bancos passaram a ter os seus próprios sistemas de transferências imediatas por Multibanco, que são cobradas, “e que acabam por concorrer com a MB Way”.

E “se os preços se colarem uns aos outros poderá haver uma redução da utilização de MB Way em benefício dos sistemas de cobrança rápida dos próprios bancos”, vincou.

Vinay Tranjivan adiantou que taxar as transações em MB Way “é injustificado, mas infelizmente era previsível que os bancos o fizessem”.

“Neste momento estamos a falar só de um banco (o BPI), mas todos eles já tinham estas comissões previstas no seu preçário”, sinalizou, afirmando que “esta é apenas mais uma comissão criada pelos bancos, que nos últimos três a quatro anos se viraram para o comissionamento de todos os serviços prestados, na tentativa de garantir rentabilidade aos acionistas”.

O consumidor é, conforme lamentou o economista da Deco, o mais penalizado: “Primeiro, porque pesa na carteira para quem usa MB Way para transações, que eram gratuitas e passam a ser cobradas. E também vai ter uma repercussão negativa no que era a promoção de um sistema útil e seguro para transações rápidas de dinheiro”, concluiu.

Existem atualmente em Portugal mais de 1 milhão de utilizadores da aplicação MB Way que fazem mais de 2,5 milhões de transações bancárias por mês, num sistema com 14 bancos aderentes.

A partir de 1 de maio, o BPI vai passar a cobrar 1,248 euros por cada transferência MB Way. O valor previsto até agora para essas transferências era de 20,8 cêntimos, mas não eram cobrados. O BPI anunciou, porém, que quem tiver instalada no telemóvel a aplicação do banco não pagará comissões nestas transferências.

A CGD, o Novo Banco e o BCP também têm nos seus preçários um valor previsto para as transferências MB Way, apesar de ainda não os estarem a aplicar. Na CGD o preço é de 0,208 euros, no Novo Banco é de 0,156 euros, enquanto no BCP o valor sobe para 1,352 euros. Outros bancos não têm valores previstos, por enquanto, para as transferências MB Way. É o caso do Santander Totta e do Bankinter.

Termos relacionados Sociedade
(...)