Ciência chinesa
A China deixar de ser vista apenas como um país fabricante de produtos manufaturados, mas passar a ser encarada também como uma terra de oportunidades científicas.
Uma investigação do centro de estudos britânico Nesta argumenta que o setor chinês de ciência já é "grande demais para ser ignorado".
Um fator-chave identificado no relatório é o tamanho extraordinário de gastos do país em I&D - cerca de 163 mil milhões de dólares no ano passado, um aumento de 18% em relação ao ano anterior, com novos saltos planeados.
Isso significa que a China gasta cerca de 500 milhões de dólares em investigação por dia e emprega um quarto da força de trabalho do setor no mundo.
A China também se destaca no número de patentes solicitadas e garantidas, na educação superior (em 2020, calcula-se que o país possa produzir mais formandos do que os EUA e a União Europeia juntos) e em publicações científicas (no mesmo ano, o país deverá passar a publicar mais artigos científicos do que os EUA).
Mas talvez quantidade não signifique qualidade. O estudo cita uma estimativa recente de que apenas 10% dos chineses formados em engenharia atenderiam os padrões internacionais de empregabilidade.
Como o mundo vê a China
Então, a China é realmente um líder mundial em ciência ou ainda uma exploradora de mão de obra barata? Ou um pouco dos dois?
A resposta é complicada, de acordo com o relatório. A imagem da China como uma superpotência científica pode ser válida, mas é apenas uma das várias maneiras diferentes de se ver o país:
- A China também tem sido chamada de um "seguidor rápido" - capaz de deglutir avanços dos outros, de se aproximar rapidamente, mas sem jamais assumir a liderança.
- Outros dizem que a capacidade da China de avançar será sempre sufocada pelo comando único do Partido Comunista, que inibe a interação vital à inovação.
- Outra perspetiva é de que a China é impulsionada pelo que o relatório chama de "tecnonacionalismo", um desejo de não apenas ser competitivo, mas também de assegurar a "vantagem absoluta" por meio de meios lícitos ou ilícitos.
- A quarta abordagem é a de que a China vê os desafios extremos das mudanças climáticas, da poluição e da escassez de recursos, e os seus investimentos em investigação são concebidos para produzir soluções de longo prazo, com benefícios globais.
Os autores do relatório, por sua vez, argumentam que a China deve ser vista como "um estado de absorção", assimilando tecnologias estrangeiras, mas que, em seguida, agrega valor e novidade a inventos.
Artigo publicado por Inovação Tecnológica, com informações da BBC