As chuvas torrenciais que castigam o sul da China nos últimos dias já deixou um saldo de 211 mortos, 119 desaparecidos, afectando 30 milhões de chineses, em 10 províncias. São números que, infelizmente, tendem a aumentar, já que a previsão é de que as chuvas continuem por vários dias. São pelo menos 2.4 milhões de desabrigados. A maioria das mortes foi provocada pela fúria das águas que foram arrastando as pessoas. As chuvas deixaram milhares de pessoas isoladas em diversos locais dessas províncias, já que as estradas se tornaram intransitáveis, e existe também o risco de deslizamentos.
As cheias são as mais severas a afectar os 7,9 milhões de habitantes da província de Jianqxi nos últimos 50 anos e, em Fujiam, em cem anos. Na província de Hunan, 8,3 milhões de habitantes foram atingidos.
Segundo dados do governo, 2,4 milhões já foram evacuados, e os estragos são estimados em 6,35 mil milhões de dólares. Até o momento, 215 mil casas foram destruídas, assim como as plantações em 227.800 hectares de terra. Outras fontes afirmam que as chuvas inundaram 1,6 milhões de hectares de plantações.
A agência oficial de notícias Xinhua diz que cerca de 15 mil entre tropas e civis foram mobilizados nas tarefas de ajuda e resgate. O governo, por seu lado, tenta demonstrar que tem a situação sob controlo e tem feito de tudo para aliviar a situação. O destaque desta quinta-feira da agência Xinhua não é a situação dos milhões de chineses afectados, mas a viagem do presidente chinês, Hu Jintao, à reunião do G-20, neste final de semana no Canadá.
As províncias mais afectadas são Fujian, Jiangxi, Hunan, Guangdong, Sichuan, Guizhou e Guangxi. Algumas dessas províncias sofreram uma severa seca meses atrás e agora estão castigadas pelas chuvas torrenciais.
As informações sobre a China, devido à censura imposta pelo Partido Comunista, são sempre incertas, mas este ano as secas, as mais duras num século, afectaram principalmente as províncias de Yunnan e Guizhou, faltando, inclusive, água para os camponeses beberem, afectando 61 milhões e destruindo 4 milhões de hectares de plantações.
Desde Maio, as chuvas, que se iniciaram mais cedo este ano, já tinham afectado 10 milhões de chineses e 80 mil casas, nas províncias de Guangdong, Chongqing, Sichuan, Fujian, Jiangxi, Hunan e Zhejiang.
A China, cuja liderança politica tem realizado uma longa marcha no rumo da restauração capitalista, é ainda um pais onde ocorrem sistematicamente tragédias desta natureza. O crescimento em termos numéricos da economia, não se reflecte qualitativamente na vida da população, e o país carece de infra-estrutura capaz de evitar tais mazelas. Não se pode responsabilizar apenas a natureza por esses problemas, o Partido Comunista já leva nada menos que sessenta anos a governar o país.