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Chile cancela Cimeira do Clima

A convulsão social contra o governo liberal do presidente Sebastian Piñera foi o motivo apresentado para o cancelamento da COP-25 e do Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico, duas grandes iniciativas agendadas para as próximas semanas em Santiago do Chile.
Foto COP25cl/Facebook

Foi com “profunda dor, porque esta é uma dor para o Chile”, que o presidente chileno anunciou esta quarta-feira o cancelamento da cimeira do clima (COP-25), agendada entre 2 e 13 de dezembro e do Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico (APEC), que teria lugar a 16 e 17 de novembro.

“Baseamos a nossa decisão num sábio princípio de bom senso: quando um pai tem problemas, sempre tem que privilegiar a sua família em detrimento de outras opções. Como um presidente, que sempre tem que colocar os seus próprios compatriotas acima de qualquer outra consideração”, afirmou o presidente chileno, cercado nas ruas pela população que pede a sua demissão e o fim das políticas neoliberais que trouxeram desigualdade e pobreza ao país.

As Nações Unidas já reagiram ao cancelamento da cimeira que ia receber 25 mil delegados de todos os países. Patrícia Espinosa, a responsável pela agência da ONU para as Alterações Climáticas, diz estar neste momento a explorar hipóteses alternativas de países que consigam acolher o evento.

As últimas semanas foram marcadas por manifestações que levaram milhões de chilenos às ruas, mas também pela brutal repressão ordenada por Piñera, que enviou o exército para esmagar os protestos, provocando dezenas de mortos e trazendo à memória os dias sombrios da ditadura de Pinochet.

Derrotado politicamente, Piñera fez uma viragem de 180 graus no discurso, anunciando-se agora como o paladino do diálogo social e sacrificando os seus ministros com promessas de uma nova agenda económica que responda às reivindicações dos manifestantes.

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