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Cerca de dois mil bilionários têm mais dinheiro que 60% da população mundial

Um relatório da Oxfam contabiliza que, em 2019, os 2153 mais ricos tinham em seu poder mais dinheiro do que 60% da população mundial. As mulheres são quem mais sofre com as desigualdade porque são empurradas para profissões mais precárias, realizando a maior parte do trabalho de cuidado não remunerado.
Ativistas da Oxfam em 2009 no G20.
Ativistas da Oxfam em 2009 no G20. Fonte G20 Voice/Flickr.

A desigualdade social é evidente a partir dos números avançados pela Oxfam num relatório divulgado esta segunda-feira. 2153 bilionários detêm mais riqueza do que 60% da restante população mundial. E um por cento dos mais ricos do mundo detêm mais do dobro do dinheiro do que 6,9 mil milhões de pessoas.

Todos os anos, a ONG publica um relatório sobre as disparidades na distribuição da riqueza em antecipação ao Fórum Económico Mundial, a conhecida Cimeira de Davos, momento de encontro das elites económicas e políticas mundiais que se inicia esta terça-feira.

A ONG denuncia um “sistema económico falido e sexista, que valoriza mais a riqueza de uma elite privilegiada, na sua maioria, homens” e exige que “os governos de todo o mundo tomem medidas urgentes para construir uma economia mais humana e feminista, que valorize o que realmente importa para a sociedade”.

O prisma das desigualdades de género marca o documento, este ano intitulado “Tempo de Cuidar - O trabalho de cuidador mal remunerado e não pago e a crise global da desigualdade”. Pauline Leclère, porta-voz da Oxfam France, explica que “as mulheres estão na primeira fila das desigualdades devido a um sistema económico que as discrimina e as aprisiona nas profissões mais precárias e menos remuneradas, a começar pelo setor de cuidado.”

Para além do tipo de profissões para que são empurradas, o facto de ficarem encarregues dos cuidados familiares também condiciona a vida das mulheres: enquanto 42% das mulheres a nível mundial não podem ter um trabalho pago por terem a seu cargo estes cuidados, no caso dos homens apenas 6% estão nestas condições.

Ou seja, mais de 75% do trabalho de cuidado não remunerado recai sobre as mulheres. A conclusão é assim evidente: “a pesada e desigual responsabilidade do trabalho de cuidados que recai nas mulheres perpetua tanto as desigualdades económicas quanto a desigualdade de género”. Mas, mais uma vez, bastavam dois conjuntos de números para ilustrar o que se passa a este propósito. Os 22 homens mais ricos do mundo possuem mais riqueza do que todas as mulheres que moram em África. E diariamente as mulheres dedicam 12,5 mil milhões de horas a trabalho de cuidado não remunerado, contribuindo com três vezes para a economia mundial do que a indústria da tecnologia, um valor de 9,6 biliões de euros.

Um passo no sentido da mudança da situação de desigualdade gritante seria a introdução de modelos fiscais progressivos. O relatório da Oxfam mostra que os mais ricos e grandes empresas são pouco taxados. Outro número mostra claramente a dimensão do problema: uma taxa de mais 0,5% sobre a riqueza dos 1% mais ricos do mundo ao longo de dez anos, criaria 117 milhões de empregos nas áreas sociais.

Outro caminhos sugeridos são o investimento em sistemas públicos de cuidado e legislar apoios aos cuidadores.

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