Centenas de pessoas, na maioria jovens, juntaram-se este sábado no Parque Eduardo VII Lisboa num piquenique contra a precariedade no trabalho organizado pela Interjovem /CGTP-IN, Juventude Operária Católica (JOC), Movimento 12 de Março (M12M) e a Associação de Bolseiros de Investigação Cientifica (ABIC).
Durante a manhã, realizaram-se debates organizados por cada uma das entidades organizadoras. À tarde, houve uma mesa redonda que envolveu todos os participantes. O debate andou em torno de questões como as verdadeiras causas da crise, a chantagem que pesa sobre os trabalhadores e os precários, a tentativa de colocar a austeridade como inevitável e as formas de denunciar essa falsa inevitabilidade.
Para o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, “é muito importante colocar em destaque este tema da precariedade. Ou a sociedade toda se mobiliza para dar a volta a isto, ou o retrocesso social e civilizacional é imparável.”
Para o sindicalista, “vai vir ao de cima a incoerência do caminho que está a ser seguido”, afirmou, lembrando que o desenvolvimento das sociedades foi feito pela valorização do trabalho e por factores de estabilidade e segurança no emprego.
Convicto de que a juventude vai conseguir construir “novos caminhos”, Carvalho da Silva recordou que a precariedade não é uma inovação – é tão antiga quanto a existência do trabalho escravo.
Pelo Movimento 12 de Março (M12M), co-organizador da iniciativa, Paula Gil lembrou também que a crise actual “passa muito pela precariedade laboral”.
“A instabilidade profissional leva a que as pessoas não comprem, não invistam, e a produção diminui e há mais desemprego”, analisou, em conversa com a agência Lusa.
Auditoria às contas públicas
O M12M está agora a iniciar uma campanha para apelar a uma auditoria às contas públicas, com o objectivo de saber de onde vem a dívida portuguesa e que parte dela é especulativa.
Outra iniciativa é a recolha de 35 mil assinaturas para propor ao Parlamento que se usem as medidas legislativas já existentes para travar a precariedade.
Também marcaram presença na iniciativa os bolseiros de investigação científica. “Os bolseiros são precários e sentem isso na pele. São atirados, às vezes por 10 anos, para sucessivas bolsas até conseguirem eventualmente um contrato de trabalho. Isto define a precariedade: não se saber como se vai viver”, resumiu à Lusa André Janeco, da Associação de Bolseiros de Investigação Científica.
O piquenique terminou com um concerto com a participação de várias bandas, entre as quais os Peste & Sida.