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Centenas de milhares de pessoas passam fome no Tigray

A província da Etiópia continua a ser fustigada pelos conflitos. Mais de 90% da população necessita de ajuda alimentar internacional, 350.000 passam mesmo fome, um número que continua a crescer, e há dois milhões de deslocados. As equipas de trabalhadores humanitários queixam-se de falta de acesso à região e de vários abusos.
Ajuda de emergência da Unicef à população do Tigray. Fevereiro de 2021. Foto de UNICEF Ethiopia/Flickr.
Ajuda de emergência da Unicef à população do Tigray. Fevereiro de 2021. Foto de UNICEF Ethiopia/Flickr.

Brian Lander, chefe do grupo de emergência do Programa Alimentar Mundial, informou esta quinta-feira que mais de 350 mil pessoas na região de Tigray, na Etiópia, estão neste momento a passar fome. “Espera-se que esse número ultrapasse as 400 mil nos próximos meses”, acrescenta.

Stephane Dujarric, porta-voz da ONU, critica a falta de acesso dos trabalhadores humanitários às zonas mais afetadas devido a “movimentos de bloqueio da ajuda, interrogatórios, agressões e detenção de trabalhadores humanitários em postos de controlo militar”. Denuncia ainda “pilhagem e apreensão de bens e material humanitário pelas partes em conflito”. Quem das equipas humanitárias consegue estar no terreno enfrenta ainda “sistemas de água disfuncionais e instalações de saúde limitadas ou inexistentes”.

Já Mark Lowcock, chefe de operações humanitárias da mesma organização, lança um apelo: “temos verdadeiramente necessidade que todo o mundo se mobilize”, a ONU pretende diz que necessita mais de 200 milhões de dólares para poder dar resposta à situação. O Tigray tem cinco milhões de habitantes e mais de 90% necessitam de ajuda alimentar de urgência.

Esta região assistiu, a partir de novembro do ano passado, a uma guerra civil que se internacionalizou. Primeiro, o conflito foi entre a Frente de Libertação do Tigray que a governava e o exército etíope, depois a Eritreia entrou no conflito ao lado da Etiópia. Os vários lados do conflito são acusados de massacres de civis e, para além das vítimas e destruição deixadas pela guerra, há também dois milhões de pessoas deslocadas. Há seis meses que supostamente a guerra acabou mas os conflitos continuam.

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