O dirigente bloquista criticou ainda, em declarações à agência Lusa, a "atitude equívoca" mas "habitual e trivial" de Cavaco Silva, que entra em "contradição" ao "reconhecer os falhanços da política da ‘troika' e da austeridade mas ao mesmo tempo insistir na sua continuação".
"É uma contradição antiga de Cavaco Silva. Não se pode alertar para a evolução negativa a que conduziram as políticas de austeridade e ao mesmo tempo insistir nessas políticas", frisou João Semedo.
No prefácio do "Roteiros VIII", o presidente da República afirma que "é uma ilusão pensar que as exigências de rigor orçamental colocadas a Portugal irão desaparecer em meados de 2014, com o fim do atual programa de ajustamento económico e financeiro”.
“Qualquer que seja o governo em funções, o escrutínio europeu reforçado das finanças públicas portuguesas, bem como a monitorização da política económica, vai prolongar-se muito para além da conclusão do atual programa de ajustamento", avança o chefe de Estado, sublinhando que "face à extensão em sete anos do vencimento dos empréstimos concedidos a Portugal pela União Europeia (52 mil milhões, no final do programa de ajustamento), não se prevê que ocorram reembolsos antes de 2025 e que a percentagem de 75 por cento dos reembolsos seja atingida antes de 2035".
"Num horizonte temporal muito alargado, se Portugal se afastar de uma linha de rumo de sustentabilidade das finanças públicas, de controlo das contas externas e de estabilidade do sistema financeiro suportara, de forma inescusável, novos e pesados custos económicos e sociais", conclui.
Cavaco Silva defende também que a decisão sobre um eventual programa cautelar deve ser tomada "no momento adequado", "evitando alaridos precipitados", e tendo em conta a evolução dos mercados, da situação internacional e o sentimento dos parceiros europeus.