A campanha eleitoral na Catalunha decorre num ambiente de anormalidade democrática, com os principais candidatos (incluindo os líderes políticos mais populares nas sondagens) em prisão preventiva ou no exílio e impedidos de fazer campanha em território catalão.
Para além disso, a Junta Eleitoral nomeada pelo governo espanhol também se tem destacado por algumas decisões que estão a ser classificadas de censura. É o caso da proibição da referência a Puigdemont e aos membros do governo destituído por Mariano Rajoy como “presidente” e “consellers” por parte do serviço público de rádio e televisão catalã durante a campanha eleitoral.
Em comunicado, o Conselho Profissional da Catalunya Ràdio denunciou a “grave ingerência no critério jornalístico das redações” que representa “uma nova tentativa de influenciar o nosso trabalho em benefício dos interesses dos partidos que apresentam este tipo de queixas”.
“Recusamos a censura, as listas negras de palavras proibidas e reivindicamos o joenalismo livre e não politizado. Por ninguém”, conclui o comunicado.
Comunicat del Consell Professional de @CatalunyaRadio: "rebutgem la censura, les llistes negres de paraules prohibides, i reivindiquem el periodisme lliure i no polititzat. Per ningú." pic.twitter.com/OhvV05eTtS
— Albert Mercadé (@albertmercade) November 29, 2017
Outro alvo da Junta Eleitoral foi a Câmara de Barcelona e a sua exigência de liberdade para os presos políticos catalães. Primeiro deu ordens à autarquia liderada por Ada Colau para retirar a faixa gigante colocada na sede do município com a inscrição “Liberdade para os presos políticos”, dando razão à queixa apresentada pelo partido Ciudadanos. Uma decisão igual, desta vez em Badalona, foi tomada pela Junta após uma queixa do PP.
Agora, face à intenção da autarquia de iluminar as fontes de água e os edifícios públicos com luzes amarelas, em sinal de solidariedade com os membros do governo e os líderes das organizações sociais soberanistas na prisão, a Junta Eleitoral mandou também proibir a iluminação.
Estas decisões seguem-se a outras no sentido de não autorizar as concentrações diárias pela libertação dos presos em Reus e também a proibição da exibição de lenços amarelos nas sedes de vários municípios.