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Carta revela envolvimento de autoridades dos EUA no assassinato de Malcolm X

Um agente policial infiltrado revelou que lhe foi dada a missão de fazer com que dois seguranças do ativista fossem presos nas vésperas do assassinato. Crescem as suspeitas de uma conspiração do FBI e da polícia de Nova Iorque para o matar.
Palco onde Malcolm X foi assassinado. Foto da Biblioteca do Congresso dos EUA/Wikimedia Commons.
Palco onde Malcolm X foi assassinado. Foto da Biblioteca do Congresso dos EUA/Wikimedia Commons.

A família de Malcolm X apresentou publicamente este sábado a carta de um agente policial, entretanto falecido, que revela o envolvimento da polícia de Nova Iorque e do FBI no assassinato deste ativista em 21 de fevereiro de 1965 no Audubon Ballroom.

Três membros da Nação do Islão, organização a que Malcolm X pertencera e da qual se tinha afastado, foram condenados pelo assassinato. Desde então, vários investigadores têm contestado a versão oficial dos factos e o documentário “Quem matou Malcolm X?”, lançado o ano passado na plataforma Netflix, levou mesmo o Procurador de Manhattan a reabrir o caso.

Na carta que só quis tornar pública depois da sua morte, Raymond Wood escreve que foi pressionado pelos seus supervisores da polícia de Nova Iorque para, enquanto polícia infiltrado, levar dois dos membros da segurança pessoal do ativista negro a cometer crimes que resultaram na sua prisão. Estes foram efetivamente presos poucos dias antes do tiroteio no Audubon Ballroom e Wood revela que isso não foi um acaso, mas fazia parte de uma conspiração que envolvia a polícia da cidade e o FBI.

Na conferência de imprensa junto ao local do crime, o primo deste polícia, Reggie Wood, juntou-se à família para atestar a veracidade do documento. Citada pela Reuters, uma das três filhas de Malcolm X, Ilyasah Shabazz, declarou na ocasião que “qualquer prova que explique melhor a verdade por detrás daquela terrível tragédia deveria ser investigada em pormenor”.

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