Caos na segurança em Londres reabre debate sobre privatizações

21 de julho 2012 - 0:21

O Governo britânico fez um contrato milionário com a empresa G4S para garantir mais de 10 mil seguranças nos Jogos Olímpicos. Mas a empresa falhou o compromisso e o país discute agora a vantagem de pagar a privados para fazer o trabalho da polícia.

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Militares estão a tapar a falha da empresa contratada para a seguranção dos Jogos Olímpicos de Londres. Foto Andy Wilkes/Flickr

A poucas semanas do início dos Jogos, a G4S - uma das maiores empresas de segurança privada do mundo - assumiu que vai falhar o compromisso, o que obrigará o Governo a mobilizar pelo menos 3500 militares.



O contrato assinado previa a disponibilização de seguranças privados e a formação de todos os envolvidos, incluindo os militares num total de 23.700 pessoas. O valor do contrato assinado pelo Governo com a G4S ronda os 365 milhões de euros.



O falhanço da G4S começou a sentir-se nas iniciativas de preparação dos Jogos Olímpicos que  já tiveram início. Em algumas cerimónias já realizadas no Parque Olímpico nas últimas semanas, a empresa não conseguiu fornecer o número de seguranças previsto.



A dúvida quanto à necessidade de cobrir o falhanço da contratação de segurança privada permanece e ninguém sabe ao certo se os 3500 militares mobilizados serão suficientes. E a prática do "outsourcing" para serviços públicos como as escolas, prisões, recolha do lixo, fornecimento de água ou transportes está agora no centro do debate no Reino Unido.   



Sabe-se agora que estas parcerias com os privados nas escolas, hospitais e prisões custaram aos britânicos mais 32 mil milhões de euros do que se fosse o Estado a cumprir essa obrigação. A privatização dos caminhos de ferro custaa aos contribuintes mais de 1,5 mil milhões de euros a cada ano que passa. E a empresa que ganhou a privatização das águas no sul da Inglaterra e nos últimos vinte anos vendeu 25 reservatórios já pagou 5,5 mil milhões de dividendos aos acionistas, enquanto os consumidores ficaram este verão sem água nas torneiras, apesar da chuva não parar de cair.