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Campanha contra ódio apela a boicote à publicidade no Facebook

Várias organizações juntaram-se na campanha “Stop Hate for Profit” que acusa a plataforma de ganhar dinheiro ao permitir a continuação da proliferação do discurso de ódio. Cerca de 75 empresas já aderiram.
Logotipo da campanha Stop Hate for Profit.
Logotipo da campanha Stop Hate for Profit.

Empresas como a Mozilla, a Ben&Jerry, a North Face, a REI, a Upwork e a Patagonia cederam ao apelo da campanha “Stop Hate for Profit”. Integram uma lista que conta neste momento com 75 marcas mas que continua em crescendo de empresas que se comprometem a deixar de pagar publicidade no Facebook durante o mês de julho. A plataforma é acusada de não fazer o suficiente para travar o discurso de ódio.

Esta campanha nasce de um grupo de organizações norte-americanas como a Common Sense, a Sleeping Giants, a Free Press, a League of United Latin American Citizens, a National Hispanic Media Coalition, a Anti-Defamation League, a National Association for the Advancement of Colored People e a Color Of Change.

Com a campanha, espera-se que a pressão da redução de receitas publicitárias, que corresponde a 99% das suas receitas, e a publicidade negativa associada façam com que o Facebook implemente políticas mais efetivas contra discursos racistas, sexistas e de ódio. Já as empresas estarão a aderir por medo que os custos de reputação associados sejam grandes. A mesma razão que fez com que muitas publicassem ultimamente mensagens de apoio ao movimento Black Lives Matter.

De forma provocadora, os promotores perguntam: “o que faria com 70 mil milhões?” E respondem: “sabemos o que o Facebook fez. Permitiram o incitamento à violência contra os manifestantes que lutam por justiça racial na América (…). Classificaram a Breitbart News como “fonte noticiosa credível” e fizeram do The Daily Caller um “fact checker” apesar de ambas as organizações trabalharem com conhecidos supremacistas brancos”. Acusa-se ainda a rede social de não ter considerado a negação do Holocausto como discurso de ódio e de não ter ajudado no recenseamento eleitoral.

Ao contrário do Twitter, que “comprou” diretamente uma guerra com o presidente norte-americano quando começou a sinalizar algumas das mensagens de Trump que continham apelos ao ódio ou informações reconhecidamente falsas, a empresa de Mark Zuckerberg tem vindo a ser criticada por associações, cientistas e mesmo por funcionários seus devido ao laxismo com que enfrenta o discurso de ódio e a sua proliferação.

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