CAIS propõe ilegalizar pobreza

03 de janeiro 2011 - 4:00

A associação de apoio aos sem-abrigo propõe exigir ao Estado que "reduza num ponto percentual o nível de pobreza em Portugal todos os anos”. Em caso de incumprimento, o Estado será penalizado.

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Em julho de 2008, a Assembleia da República aprovou, por unanimidade, um projecto de resolução que recomendava ao governo declarar solenemente que a pobreza conduz à violação dos Direitos Humanos. Foto de Ángel Castellano González, Flickr.

Henrique Pinto, director executivo da CAIS, afirma que o governo não tem “feito mais nada do que aliviar" o problema da pobreza em Portugal. Nesse sentido, o representante da CAIS defende que  “a pobreza seja tratada num contexto de total intolerância” e adianta que “É preciso que a pobreza se combata dentro de um contexto de ilegalidade para que seja levada a sério, como a escravatura se aboliu em 1869".

A CAIS irá apresentar aos partidos, segundo anunciou Henrique Pinto, uma proposta concreta que visa exigir ao Estado que "reduza num ponto percentual o nível de pobreza em Portugal todos os anos”.         

Caso o Estado não seja capaz de cumprir essa meta, esta associação de apoio aos sem-abrigo propõe que sejam aplicadas penalizações, entre as quais aumentar num ponto percentual o valor das transferências do Estado para as Organizações não Governamentais (ONG) ou para as Instituições Privadas de Solidariedade Social (IPSS) e aumentar também o valor das pensões de reforma mais baixas.         

Antes de ser apresentado aos partidos, o documento irá ainda ser submetido ao parecer de algumas personalidades, tais como Marcelo Rebelo de Sousa, Garcia Pereira ou o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, e será apresentado posteriormente em conferência de imprensa.

A CAIS planeia apresentar as suas reivindicações através de uma petição, pelo que se propõe a reunir 4 mil assinaturas, para que esta matéria seja discutida em sessão plenária da Assembleia da República.

AR aprova projecto de resolução por unanimidade

Em julho de 2008, a Assembleia da República aprovou, por unanimidade, um projecto de resolução que recomendava ao governo declarar solenemente que a pobreza conduz à violação dos Direitos Humanos.

Neste documento, subscrito por deputados de todas as bancadas parlamentares, era ainda recomendada a definição de um limiar de pobreza em função do nível de rendimento nacional e das condições de vida padrão na nossa sociedade, que sirva de referência obrigatória à definição e à avaliação regular das políticas públicas de erradicação da pobreza.

Embora o projecto de resolução tenha sido aprovado há mais de três anos, e tenha merecido a concordância de todos os grupos partidários, ainda não foram tomadas, até à data, e em detrimento de um efectivo combate à pobreza, medidas que ponham pôr em prática as recomendações previstas.