Buscas da PJ por causa do negócio do terminal de Alcântara em Lisboa

18 de setembro 2010 - 17:59

As buscas realizadas esta sexta-feira pela PJ à Administração do Porto de Lisboa e à Liscont acontecem depois da revogação da prorrogação do contrato do terminal de Alcântara por mais 27 anos, sem concurso público, "negociada" pelo ex-ministro Mário Lino.

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Segundo as estatísticas do Porto de Lisboa, o movimento de contentores no TCA em 2009 ficou 30 por cento abaixo das previsões de crescimento que serviram de base ao prolongamento do contrato de concessão com a Liscont.

Cerca de meia centena de pessoas estiveram envolvidas nas buscas realizada pelo DIAP de Lisboa e pela Polícia Judiciária às instalações da Administração do Porto de Lisboa (APL), da Liscont - empresa do Grupo Mota-Engil liderada pelo ex-dirigente socialista Jorge Coelho - concessionária do terminal portuário de Alcântara, e a outros oito locais, onde funcionam serviços do Estado e privados.

A diligência visava a apreensão de documentação relacionada com o prolongamento da concessão daquele terminal de 2015 até 2042, sem concurso público, um negócio realizado entre o ex-ministro das Obras Públicas Mário Lino e a Mota-Engil.

A Liscont confirmou num comunicado a presença da PJ no terminal de Alcântara, tendo adiantado que lhe foram solicitados “um conjunto de documentos relacionados com o contrato de concessão”, cita o Público.

A necessidade do esclarecimento dos contornos internos e externos do aditamento ao contrato de concessão, assinado em Outubro de 2008, surgiu quando o Tribunal de Contas (TC) disse que os interesses do Estado não tinham sido acautelados com a decisão de prorrogar a exploração por aquela empresa do universo Mota-Engil.

A prorrogação por mais 27 anos suscitou um movimento de opinião desfavorável e levou mesmo à intervenção do Presidente da República que revogou o decreto-lei que a consagrava. A decisão do Parlamento de acompanhar a revogação, em Maio deste ano, seguiu-se a um longo processo que terminou com o envio pela Comissão Parlamentar de Obras Públicas para o Ministério Público (MP) de toda a documentação a que os deputados tinham tido acesso e com uma acção interposta no Tribunal Administrativo.

O negócio está ainda envolto em várias acções judiciais, já que o MP reclamou a sua nulidade e a Liscont quer ser indemnizada pelos prejuízos.

O MP aponta designadamente a violação do Código da Contratação Pública (CCP), por falta de concurso aquando da prorrogação, e defende que o aditamento acaba por ser “um novo contrato” porque cerca de 90 por cento das cláusulas são novas.

Um mau negócio para o Estado

Numa auditoria divulgada o ano passado, o TC considerou que a prorrogação à Liscont foi um mau negócio para o Estado e um mau exemplo de gestão financeira do sector público.

O TC sublinhou ainda que a prorrogação do prazo de concessão do terminal não era mais vantajosa para o Estado, defendendo mesmo que a solução "mais prudente" e que "melhor acautelava os interesses financeiros do concedente público" e dos contribuintes seria aguardar o termo de concessão (2015).