Ana Drago criticou, na conferência de imprensa onde apresentou o projeto do Bloco, a multiplicação de exames, apresentados como uma política de rigor e exigência, ao mesmo tempo que o ministério da Educação nada mais faz do que "cortar em tudo o que é investimento na área da educação, nas disciplinas e no número de professores". Para a deputada do Bloco, "multiplicar os momentos de exame nos finais dos ciclos" nada tem a ver com rigor nem com a promoção do sucesso das aprendizagens.
Os alunos do 4.º ano têm realizado, nos últimos anos, provas de aferição no final do ano letivo. Estas provas não contam para a nota final. O Governo pretende introduzir, já em 2013, exames com consequências diretas nos resultados das crianças. No primeiro ano, estas provas contarão 25% para a nota final, um valor que sobe para os 30% a partir de 2014.
Recordando que em mais nenhum país europeu existem exames seletivos no final do 4.º ano, e que a intenção de Nuno Crato contraria todos os estudos internacionais e as melhores práticas europeias, a deputada do Bloco solicitou ao ministro que "mostre os indicadores, os estudos, em que se baseou para criar esta exceção no quadro europeu de ir buscar à experiência do Estado Novo este exame".
"Nós sabemos pelos estudos que têm sido feitos e pelas comparações internacionais que Portugal é dos países da OCDE com maiores taxas de retenção e portanto o sistema educativo necessita não de mais momentos para selecionar e deixar para trás alunos, mas antes de um investimento quer na qualidade dos recursos humanos, quer ao nível dos programas", defendeu Ana Drago.
O ministro "já devia ter percebido com um ano de experiência que governar nesta área não é a mesma coisa que escrever uns artigos de opinião para os jornais. É preciso fundamentar, com estudos e números, as políticas públicas", declarou Ana Drago.
O projeto do Bloco defende, ainda que “a avaliação das aprendizagens dos alunos deve ser feita separadamente da avaliação dos seus comportamentos e atitudes”. O projeto segue de perto uma das principais recomendações do relatório de avaliação sobre o sistema educativo nacional, recentemente elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Neste documento, esta instituição critica severamente um sistema formativo “obcecado com os resultados”.
Dizendo que vai trazer “"gravíssimos problemas de gestão" ao sistema educativo, Ana Drago anunciou que o Bloco vai apresentar ainda esta semana uma proposta que defende a suspensão dos mega agrupamentos nas escolas.