Mariana Mortágua esteve presente no início do acampamento dos Jovens do Bloco de Esquerda que se realiza este fim de semana em São Gião, Oliveira do Hospital. Em declarações aos jornalistas, destacou um tema que considerou “muito importante”: a exposição dos trabalhadores a temperaturas muito elevadas no contexto de uma semana em que se viveram as três temperaturas mais elevadas desde que há registo.
A coordenadora bloquista notou que acabou de ser lançado um relatório da Organização Internacional do Trabalho que demonstra que crescem os casos de mortes e de acidentes de trabalho causados pela exposição dos trabalhadores a temperaturas muito altas.
Portugal não é alheio à situação. A porta-voz do Bloco enumera setores onde os casos de exposição são muito conhecidos como a agricultura ou as estufas mas ressalva que isto também acontece nos setores dos serviços e no comércio.
A este propósito deu voz às denúncias que têm sido feitas “nos últimos dias” de trabalhadores de supermercados obrigados a trabalhar em estabelecimentos “onde o ar-condicionado está avariado e por isso estão expostas durante todo o dia a temperaturas de 40 graus, de 38 graus, durante oito horas seguidas de trabalho”.
O partido quer agir sobre isto já na reabertura da atividade legislativa em setembro no sentido de “criar novas regulações e novas proteções para o trabalho perante altas temperaturas”. Os exemplos apresentados são haver máximo de temperatura acima do qual os trabalhadores de certas profissões param, novas proteções em quantidade de horas de trabalho e de períodos de pausas, medidas de proteção como acesso à água e a materiais de proteção para proteger quem trabalha ao calor. Salienta-se ainda que, para além destas regulações deverem ser estabelecidas por lei, “é preciso uma fiscalização maior”.
Apesar disso, considera-se que seria “muito importante” que o Governo agisse desde já porque “temos de garantir que neste verão não morrem pessoas e não há acidentes de trabalho por causa da exposição ao calor”.
A mensagem é clara: “o aquecimento global veio para ficar e ou nós nos adaptamos a ele, para além das medidas que temos de fazer para tentar mitigá-lo, ou vamos assistir a um aumento dos acidentes de trabalho, das mortes e dos riscos desta exposição”.