Numa conferência de imprensa no Parlamento, o deputado do Bloco afirmou que os 6,24 por cento de juros sobre a dívida pública nacional comprovam que "a pressão especulativa sobre a economia portuguesa continua a aumentar", assinalando que durante o dia, esta quarta-feira, os mercados obrigacionistas ganharam 30 milhões de euros com este aumento.
"Hoje os especuladores internacionais meteram ao bolso uma diferença de 30 milhões de euros, 30 milhões que são dos contribuintes portugueses, [os especuladores] enriquecem como Midas à custa de todos os boatos que lancem contra a economia portuguesa e, portanto, fá-lo-ão todos os dias, será uma telenovela sem fim se não lhe pusermos termo", advogou Louçã.
A este respeito, Francisco Louçã disse esperar uma resposta política "clara" por parte do Governo português, sustentando que esta se fará não só com uma tomada de posição pública, mas também com a apresentação de um Orçamento do Estado "rigoroso" e de "base zero".
"Portugal deve rejeitar, e espero ouvir uma palavra do Governo a este respeito, todas as pressões, insinuações, sugestões, campanhas, operações de chantagem, que têm como alvo reintroduzir as políticas do FMI em Portugal", defendeu.
Louçã assinalou que a elaboração de um Orçamento de base zero tem sido uma proposta repetida pelo Bloco ao longo dos anos - "Que cada serviço do Estado, cada ministério, cada secção, tenha de justificar os carros, o serviço, as pessoas, as funções, os objectivos, o que é cumprido e o que não é".
"Ter contas certas e de confiança é uma das respostas frontais contra todos aqueles que alimentam dúvidas sobre a economia portuguesa e, portanto, promovem a especulação", sustentou, frisando que um Orçamento que siga esta linha permitirá "orientar a política económica no próximo ano para a criação de emprego, a recuperação da economia e, por essa via, o aumento das receitas do Estado para pagar os serviços públicos essenciais".
O Bloco defende que a resposta fundamental ao controlo da despesa passa por ter critérios, "pondo as prioridades onde elas têm de estar, ou seja, na promoção da qualidade da acção social do Estado, da protecção dos mais pobres, do apoio a quem precisa do SNS, da utilização de cada cêntimo onde ele tem de estar", explicou Louçã.