A porta-voz do Bloco interveio no encerramento do encontro "Inconformação 2016", organizado pelos Jovens do Bloco, que decorreu neste fim de semana na Escola Secundária de Avelar Brotero, em Coimbra.
"Os banqueiros espanhóis e angolanos não são capazes de se entender e o risco do seu não entendimento pode vir a ser um risco para os contribuintes. Acho que percebemos todos muito bem que a banca é um assunto sério demais para ser deixada na mão de banqueiros privados", afirmou discordando, desta forma, das declarações do primeiro-ministro que disse confiar na administração do BPI para cumprir as determinações das entidades europeias.
Recorde-se que a administração do Banco BPI anunciou hoje que a Santoro Finance, controlada pela empresária angolana Isabel dos Santos, desrespeitou o acordo que tinha estabelecido com o CaixaBank e que foi anunciado ao mercado, pelo que ficou sem efeito.
Na sua intervenção, a porta-voz bloquista frisou que o seu partido nunca romperá o compromisso de não condenar pessoas "para salvar os bancos", da mesma maneira que está tão empenhado "no acordo da maioria parlamentar" hoje como no dia em que o assinou.
Catarina Martins relembrou ainda os casos do BPN, BES e BANIF, como "escândalos" e "assaltos" que se repetem e que são as pessoas que acabam por pagar.
Num discurso dirigido para os participantes do encontro "Inconformação 2016", organizado pelos Jovens do Bloco, a porta-voz abordou também os 'offshores', dizendo que "os mais ricos dos ricos nunca" são chamados "a pagar nada do que devem" e "quem vive do seu trabalho é sempre chamado a pagar muito mais do que a sua parte".
"Hoje, as decisões sobre o sistema financeiro são não só determinantes para o que vai acontecer no país daqui a dois anos, daqui a cinco anos, daqui a dez anos, daqui a 15 anos, como não há ninguém neste país que não perceba a sua importância", frisou.
De acordo com Catarina Martins, "ter uma banca que é um constante risco" e "tanta gente que não paga impostos" é um problema e, por isso, o Bloco de Esquerda está a preparar medidas "essenciais para a saúde financeira do país".
"O Bloco já apresentou várias vezes propostas sobre esta matéria [offshores], algumas tiveram até a aprovação do PS quando a maioria era de direita e não avançaram", apontou, realçando que é necessário ser-se "coerente e avançar em coisas tão essenciais como conhecer quem é que são os donos de bancos sediados em 'offshore'".
Que tipo de economia?
Na sua intervenção, a dirigente do Bloco disse ainda que o partido não deixará de colocar as questões que “contam para o país ter economia e emprego”.
“Nos próximos dias, o Bloco vai apresentar as suas propostas em relação ao plano nacional de reformas e ao Pacto de Estabilidade. E neste sentido disse que aquilo que é importante é saber como é “que o país vai responder aos que precisam de emprego”.
“ Não podemos esquecer essa linha essencial que é a de saber como é que o país vai ter emprego e sobre isso o Bloco tem ideias muito fortes”, referiu.
Sobre a situação atual do país, Catarina Martins não deixou de referir as áreas da finança onde a banca sem controle público é um “risco” e um “problema”.
E lembrou aqueles que “não pagam impostos e usam a banca para não o fazer através dos offshores”.
“ Este é o momento de conhecer quem são os donos dos bancos que escondem o dinheiro e tiram-no daqui quando os contribuintes são chamados a pagar os desmandos que eles fizeram”, afirmou.
Por outro lado, Catarina Martins perguntou que tipo de economia queremos para Portugal?
E respondeu: “ O PSD e o CDS dizem que o Estado não se deve meter na economia privada mas há milhares e milhares de euros para pagar às empresas para terem estagiários em vez de estas contratarem trabalhadores”, disse, tendo ainda acrescentado que:“cabe ao Estado pensar quais são as prioridades de investimento”.
“A prioridade disse não é baixar os custos do trabalho como tem sido feito até aqui”, avançou.
Para a deputada do Bloco Portugal tem um “grande endividamento externo” e uma “enorme fatura energética”.
“Por isso, o investimento passa pela descarbonização da nossa economia para termos um setor produtivo com qualidade de vida, com emprego, num país onde possa valer a pena viver”, avançou.
Desta forma referiu que “é preciso apostar nas energias renováveis não para dar rendas à EDP, mas para investir nas empresas para que estas se tornem mais eficientes do ponto de vista energético e com isso baixar os custos do país na importação de energia”.
A finalizar, Catarina Martins exortou os jovens a serem “inconformados nas lutas pelo ambiente, pela cultura pelos costumes e liberdade individuais e também na luta pelo trabalho”.
E lembrou aqueles que estiveram nas lutas do passado, durante a ditadura exaltando a sua “coragem” e “determinação”.
“As propostas são difíceis mas não são impossíveis porque há sempre uma escolha que está ao nosso alcance”, finalizou.